quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O desmarque

É tenebroso ter um livro desmarcado.
Que espécie de pessoa maneja-o
E retira o marcador de páginas
Com o imenso prazer de quem tem 
Uma agulha dolorida de seringa
Afastada da pele?
Como pode alguém ter a frieza,
Volumosa no coração,
Ignorando,
Ou sendo maldoso,
A importância de se saber
Em que ponto se juntaram capa e contracapa,
Adormecendo a leitura,
Meditando-se o conteúdo já sorvido
E cultivando-se a expectativa da retomada do texto?
Esmaece-se a dor se o livro for um romance
Com sequência e continuidade,
Dimituta dificuldade de ser achado o ponto de parada.
Porém, no caso de um compêndio de artigos,
Aí tenho muita pena de quem foi assolado.
Como eu, que tive meu livro de crônicas dessinalizado...

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