segunda-feira, 31 de março de 2014

A culpa é tua

      
          'A culpa é toda tua, Arena.' Escrevi isso ontem no Facebook pós Grenal. É exagero: não é 'toda'. Porém, em realidade, a Arena não afeiçoada ao Grêmio. É um campo neutro/sem emoção. Um lugar que as pessoas deixam e vão embora, quase fora da capital que é. Ninguém fica andando à volta por ser caminho a outro lugar; ninguém passa por ele para ir a um motel, por exemplo.

       Lugar 'morto' em que sequer se pode torcer de pé. Tem-se que ficar sentado, entalado, para admirar 'a beleza da obra'. Muito bem. E só. Sucede que um cancha de futebol tem que ter mais do que beleza. 

         Tem que ter abrigamento, ao time e aos torcedores da equipe 'dona da casa' (e nem isso o Tricolor é lá). O Olímpico tinha. Claro, sei que a Arena é nova e que talvez custe um pouco para surgir a condição que tinha no 'Velho Casarão'. Também, não sei se o Monumental sempre foi acolhedor. Ok, mas sei do Olímpico que (muito) frequentei. E ele era estupendo.

       Duvido que ontem, na Azenha, houvesse o totó de bola que dizem que aconteceu no domingo, vi só um bom primeiro tempo para nós de vitória parcial. O Olímpico tinha força própria e catalizava a gana da torcida, traduzindo-se em alento, catapultando os atletas no gramado. Espero que a Arena melhore, e muito.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Vela com sopro do lado. Só do lado e não a atinge

  Minha memória afetiva é fogo. Tendo a preferir o velho ao novo.  O velho ê meu conhecido,  já desfrutei de poucas e boas com ele. No Olímpico velho de guerra,  por exemplo. Tenho história com ele, vividas nele. E bota história e bota guerra nisso.
   O velho já conheço, tenho relação de amizade; lembranças mil. Gosto do terminal antigo do Salgado Filho porque me lembro do tempo em que voar,  andar de avião,  não era bem assim.  Hoje em dia,  é pouco mais que andar de ônibus.
  Lembro-me de que não havia vidro na sacada do segundo andar,  víamos as pessoas caminhando- finger muito menos tinha- da porta até a aeronave. E abanávamos, gritávamos boa viagem. E o embarcante ouvia e sorria; era um familiar querido de quem também me lembro.
Depois,  foi posto vidro e criados restaurantes e lancherias caras. E quando fou instalado elevador?  Bá,  como ficou bom.
A efetividade na comparação do antigo que é bem nosso com o novo que é impessoal- mas também de muita gente-é prejudicada.
A manutenção do Olímpico  , até quando? , e do aeroporto velho,  até quando? , é a nossa chama de reminiscência que teima em não se apagar.

Não é assunto e ponto

 

      Quem se propõe a escrever, com liberdade de tema, escolhe entre a diversidade de assuntos, os que prefere. E se (auto)veta outros que não lhes soam bem. Razão pela qual, acaba repetindo temas, falo por experiência própria.

        Há diferença quando o traçado de umas linhas é sobre um tema encomendado; melhor ainda quando o enfoque é preproposto. Aí, até se escreve sobre aquele argumento 'desagradável' que em condições favoráveis não se falaria nada.

      Comportamento sexual - e digressões acerca de -, por exemplo, não me entusiasmam a escrita. Ao contrário. Aliás, desgosta-me tanto quanto ler a respeito, ou mais.

        Trata-se de temática para intramuros, palavrório de cochichos, conversa de 'à boca pequena'. Não é o causo de as pessoas travarem, aos brados, discussões. Eu não deixaria ter entrado na quadre de programação aquele programa que tinha, ou ainda tem, sexta-feira de noite no 12. Que rateada, heim Fernanda Lima?

         Mas sério, faz parte de algum fetiche falar e se expor e versar sobre a temática sexual. Não vejo outra explicação. Da mesma forma, que se presta a assistir/ver/ler a respeito. 

         A teoria é que a pessoa vai 'aprendendo com a experiência' alheia.  Papo furado. O que serve para uma, não tem que servir para a outra pessoa. Não tem nada a ver. A mesma situação é ver alguém torcendo na assistência de um jogo de futebol esbravejando e com a boca suja de palavrões. Quem disse que esse tem que ser o modelo, o padrão, de torcida? Ou por que tenho que, quando tomar tequila, por limão e sal grosso na boca e tomar de gute-gute?

        Nada disso. A experiência de cada um não interessa. E nem o que a Susana Vieira ou a mais especialista  pessoas 'na arte dos lençois' faz. Não se precisa saber como agir, não há uma cartilha do correto.
     
        Ou seja, não é um bom assunto; portanto, não calha perder tempo com ele. E nem assistir Ninfomaníaca.
   

quarta-feira, 26 de março de 2014

A capital e seu dia de anos

Hoje, dia de mais um aniversário de Porto Alegre, muito se vai ouvir Elis Regina, porto-alegrense que era, cantando em gravações. E mais ainda, escutar-se-á os dizeres emblemáticos de que ela foi, quiçá continue sendo, a maior cantora brasileira.

Boa intérprete. A melhor? Questão de gosto. De concreto, importa dizer-se que recaiu a glamorização sobre ela, tal como foi 'aquinhoada' Marilyn Monroe, James Dean e outros de vida desregrada; estes foram os que morreram jovens.

A necessidade de endeusamento é mais forte do que a imparcialidade da crítica. A psiquiatria decerto explique esse fenômeno mental, muito comum ao ser humano. Ídolos são criados a torto e a direito e, como já contava Goebbels, a mentira reiteradamente repetida torna-se verdade.

Não há mais quem desminta, desmitifique a aura, o charme aninhado a essa ou aquela figura pública. Por que a maior cantora/atriz tem que ser alguém que foi muito falado ao seu tempo e morreu 'cedo'? Ninguém nunca mais que viva conseguirá superar. Está pré-determinado.

Tenho para mim, que a análise de um (a) cantor (a) vai além da capacidade vocal. O grande não é aquele que tem a maior técnica/timbre de voz. É preciso mais. Necessária postura de vida. Nesse ponto, por sinal, advém o desempate entre Pelé e Maradona: a conduta extracampo, os deslizes dos grandes hão de ser computados.

Destarte, no exame conjuntural, indispensável à aquilatação de grandeza, as duas moças prefaladas caem em raso nível. Sabidamente, eram instáveis emocionalmente, 'de lua', 'de veneta' e, muito pior, dependentes químicas, fato inexorável, tanto que as trouxerem - como a maior prova de desdém à vida malcuidada - a morte. 

Foram-se cedo? Não sei se pode dizer isso. Partiram na medida, desafortunadamente, de tempo em que puderam resistir ao maltrato à luz do dia que tiveram a graça de conhecer e que dela a ela não souberam empenhar a valorização adequada.

As moças seriam as maiores em desprezo à vida (louca)? Nisso também não, pois a disputa é grande e os candidatos variados, até mesmo concorrem seriamente pessoas que eu, o sr. e a srª leitora, certamente conhecem. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Teclas suspensas sobre o carrinho de compras

      De quando em vez, é valioso rever-se sobre o que já se escreveu. Seja para não incorrer no mesmo erro (e entediar os pretensos eleitores com o mesmo tema), seja para examinar a opinião e o enfoque dados num pretérito, ou nem tanto, momento da vida.  A releitura tem seu valor.
      No meu caso, não raro, verifico que a mensagem externada seria facilmente reproduzida em momento atual, como sendo uma forma de pensamento sedimentado. A propósito, quando é posto 'no papel' é porque já houve reflexão suficiente sobre o assunto. Um bom exemplo, é a contrariedade à exibição do BBB que, a bem dizer, desde a primeiríssima edição já contou com meu desagrado.
     Há 'posts' em que nem se opina, simplesmente é feito um apanhado de algo trivial da vida, sem pretensões filosóficas e existenciais maiores. Digamos que apenas uma poética combinação de palavras, ludicamente conjuradas contra a sisudez das áridas temáticas.
      Tem-se hipótese de feitios de escrita para todos os gostos, mesmo para os mais desmotivados e inibidos a escrever. Portanto papel na mesa e lápis na mão. Ou caneta. Ou dedos no teclado.

PS: terminando o texto na fila do súper.

Petrobrás (bem) caída

    

    Que a Petrobrás está em um momento de crise de gestão, reconhecidamente mal gerida que é, duvido quem ainda não o saiba. Despencou na lista de posições entre as maiores empresas do mundo e, à mais recente tragédia de administração, adquiriu uma refinaria em Pasadena/EUA que lhe acarretou prejuízo em milhões, quiça bilhão e tanto, de dólares americanos.

   De tudo isso se tem conhecimento. E reclama, a brasileiro de bom senso, profunda investigação parlamentar/policial e punição judicial dos responsáveis, em processo versado dentro da Legalidade evidentemente.

    O que me chamou a atenção foi a fala de um saliente cronista de rádio que, ao comentar o caso ontem pela manhã (24/03/14), rezou pela cartilha da impunidade. Asseverou que CPI alguma deveria sair, pois se tratava de ano de Copa do Mundo no Brasil e que o a investigação parlamentar desgastaria muito a imagem brasileira aos olhos dos estrangeiros, muito focados no Brasil e aos nossos acontecimentos nacionais.

    Então quer dizer que, como ficaria feio que outros países soubessem das tramoias na maior estatal brasileira e geradora de gigantesco prejuízo ao Erário/contribuinte, não se deve aprofundar a questão e se deixar 'tudo por isso mesmo'? Convenhamos, que tese - para que muitos 'livrem-se soltos' - mais escalafobética. O que há, houver, de desalinho é de ser, no rigor da lei, apurado e responsabilizado a quem de direito.

    Nada de afrouxar o garrão, senhor jornalista defensor-mor do Campeonato Mundial; por sinal, a Copa acontecerá, conosco querendo ou não, pois agora já é demasiado tarde para retroceder. No entanto, a apuração de culpas pode/deve e vai ocorrer paralelamente, aprofundando-se até atingir seu escorreito desiderato. Sem choro e nem vela.
     

Correspondente

O rádio do Rio Grande do Sul mantém os noticiários de 'correspondente', que levam o nome do patrocinador. Cuida-se de uma resenha, de cinco ou dez minutos, com informação premoldada e que vai ar com anúncio formal e empostação de voz.
Dia desses, ouvi dizer que há a ideia atual de que tal modelo de noticioso está ultrapassado e tedioso, desgastando a paciência e a concentração do ouvinte. 
Nada disso. Quem quer se informar, escuta, mesmo que fazendo à concomitância de outras coisas, como dirigindo, comprando no súper, correndo na praça, no banheiro e etc. Mas este é o diferencial do rádio, a autossuficiência deste meio de comunicação, dinâmico e independente de interação.
Afora o correspondente, tudo mais são informações bombardeadas a quem ouve; muita notícia e pouca digressão. Portanto, a audiência para quem quer se pôr a par das novas é sobretudo dos correspondentes, deixando a repetição e demais notícias de somenos importância ladeadas para, quem sabe, ouvir música (que entretém igualmente).

segunda-feira, 24 de março de 2014

Soares x Gentili x Bastos

Boas mudanças advêm do interesse do Sbt em introduzir um programa de entrevista em sua grade televisiva.
Foi-se o tempo em que Jô Soares reinava sozinho. A piora começou com sua ida à Globo e a constância de presença de atores daquela emissora. Todo santo dia tinha alguém de novela  - com mais conteúdo como Tony Ramos e Eva Wilma, ou menos conteúdo como o notório burrão Caio Castro  - falando. Isso uma hora enche a paciência.
Com o surgimento do Danilo Gentili como apresentador no coincidente horário,  motivou a migração de telespectadores, como eu, saturados com a monotemática global. A proposta já era dinâmica na Band,  no Sbt então nem se fala. É animada a coisa,  alto astral.
Jô,  perto dos oitenta anos,  certamente, deve ter cansado já.  Desmotivou-se.
Rafinha Bastos,  da Bandeirantes,  conseguiu não deixar a peteca do horário de fim de noite, início de dia cair. É uma ótima opção de entretenimento e informação,  até mesmo aqueles que lhe torcem o nariz pela mal fadada história de 'comer uma certa mãe grávida ' que nem me lembro mais quem é.
Gostei da iniciativa de redes menos poderosas de ousarem e confrontarem a toda-poderosa Globo. Ousaram e se deram bem,  tal qual já acontecera com Mulheres Ricas opondo-se ao BBB.

Ao horizonte, misturam-se o cinza do asfalto ao gris do céu pedrento



    Há tranquilidade na vida? Sim, mas apenas relativa. Não se vive e/ou convive sem sobressaltos, sem quebra-molas na estrada da existência, a qual nos leva prosaicamente do berçário ao céu (ou inferno). 

     A viagem, via de regra, não é direta; há curvas, desvios, altos e baixos, sol, vento e chuva; buracos, tal qual uma rodovia brasileira não pedagiada.

     Muita gente cairá nos buracos e não conseguirá sair. Mas o segredo é criar habilidade quando começar a conduzir seu carro do viver e aprender a desviar das crateras, assimilando as vicissitudes que surgirão.

     O importante é não se deixar distrair e perder o foco; para frente postar-se, seguindo altiva e esperançosamente.

     Pois é. Por vezes, anda-se na melhor das condições, percalços nenhum, feliz, com motorista e copiloto cantando, absortos com a beleza da paisagem em um dia ensolarado num piso perfeito. Quando, de repente, depois de uma subida de lomba, fecha-se o tempo e a caída de chuva granizada é questão de segundos, desestabilizando-se por inteiro 'a nossa viagem'.

    É bem isso que acontece. A turbulência, a mudança de humor e exigência de muitos quereres é inopinada. Ocorre do nada. Sem explicação. Duma mesa de bar, parada estratégica, com conversa frouxa e alegre, à pronta desilusão do trecho frustrado.

Melhorando a vida



     Se há uma força capaz de tirar as pessoas do marasmo, para o bem ou para o mal, tal é a internet. Com suas variadas redes sociais e as múltiplas curtidas e vastos compartilhamentos, a pessoa é 'sacudida', como alguém com preguiça de exercitar-se, mas, ao soar de um apito de ordem, levanta-se e começa a atividade corporal.
     A metralhada de informações, discussões, teses, enfim, de abertura de olhos, faz com que a pessoa se detenha um momentinho e pense a respeito. Eis a valia.
   Estamos em um ano de eleição nos âmbitos estadual e federal. É importante que o eleitor observe as notícias e o histórico dos mandatos que se findam e pense sobre o novo voto que proferirá em outubro. E nesse particular, política e crítica atenta aos políticos com mandato em vigência, proliferam-se informações 'sociais'.
     Fica-se sabendo de muita coisa, são informações preciosas e serem consideradas, assim como funcionam de pressão popular a mudanças, à melhora do país e da vida dos votantes.
     Controla-se muito mais atualmente, tem-se mais meios para isso. Vamos aproveitar.
 

terça-feira, 18 de março de 2014

Desconfiômetro



             
    

         A vida das pessoas é escudada pela privacidade, só escapando dela o que o protagonista/enfocado assim o desejar. Este é um princípio. Ou seja, na base de tudo está, ou deve estar, a contenção de informações de quem é titular, de modo que é daquele que dá mais abertura é que se vai saber mais.
              Ou pode haver seleção do grupo de pessoas que terá acesso a mais intimidade e maior conhecimento. Mas também, há quem renuncie a tudo isso e decida se expor ao estilo Big Brother. Bom, aí pode estar surgindo, ao lado da satisfação expositiva do brother, o constrangimento de quem, mesmo repulsando a ideia, acaba por estar envolto na sanha depravada de quem tem prazer em se expor.Há muita gente que se regozija na autoexposição, porém, muito mais, são aqueles que entesam para tomar pé do que se sucede na vida de quem conta.
               O panorama em muito piora quando se adentra na intimade maior que se pode manter, isto é, a parcela sentimental, amorosa e sexual de seu ser.O que determinado, ou indeterminado alguém, faz nesse particular é particular mesmo, não pode ser de domínio público. É constrangedor! É vulgaridade que se tenha que participar, ainda que na oitiva de algum relato, da vida sexual de outrem. É tema que não interessa; se importa a quem confidencia é poder buscar conforto na cumplicidade, forçada, de seu interlocutor ou de mais gente que esteja a ouvir a conversa, a terceiros, de desagradáveis sucedidos.
              E aí, se a vontade de falar for incontinente, o falastrão pode postar em seu blog licencioso texto sobre seus assuntos de quatro paredes, teto e cama, meia-luz, climatização, música de fundo e etc.
               Só acho que a pergunta para postagem no Twitter não é de ser respondida à risca, aí que prevalece o bom-senso e o filtro de dar a conhecer ao 'público' o assunto que interesse para nós.