terça-feira, 18 de março de 2014

Desconfiômetro



             
    

         A vida das pessoas é escudada pela privacidade, só escapando dela o que o protagonista/enfocado assim o desejar. Este é um princípio. Ou seja, na base de tudo está, ou deve estar, a contenção de informações de quem é titular, de modo que é daquele que dá mais abertura é que se vai saber mais.
              Ou pode haver seleção do grupo de pessoas que terá acesso a mais intimidade e maior conhecimento. Mas também, há quem renuncie a tudo isso e decida se expor ao estilo Big Brother. Bom, aí pode estar surgindo, ao lado da satisfação expositiva do brother, o constrangimento de quem, mesmo repulsando a ideia, acaba por estar envolto na sanha depravada de quem tem prazer em se expor.Há muita gente que se regozija na autoexposição, porém, muito mais, são aqueles que entesam para tomar pé do que se sucede na vida de quem conta.
               O panorama em muito piora quando se adentra na intimade maior que se pode manter, isto é, a parcela sentimental, amorosa e sexual de seu ser.O que determinado, ou indeterminado alguém, faz nesse particular é particular mesmo, não pode ser de domínio público. É constrangedor! É vulgaridade que se tenha que participar, ainda que na oitiva de algum relato, da vida sexual de outrem. É tema que não interessa; se importa a quem confidencia é poder buscar conforto na cumplicidade, forçada, de seu interlocutor ou de mais gente que esteja a ouvir a conversa, a terceiros, de desagradáveis sucedidos.
              E aí, se a vontade de falar for incontinente, o falastrão pode postar em seu blog licencioso texto sobre seus assuntos de quatro paredes, teto e cama, meia-luz, climatização, música de fundo e etc.
               Só acho que a pergunta para postagem no Twitter não é de ser respondida à risca, aí que prevalece o bom-senso e o filtro de dar a conhecer ao 'público' o assunto que interesse para nós.

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