terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A vida de alpinista

Sabe, o alpino derreteu:
O sol ainda estava desobscurecido
De nuvens,
Havia calor
E a simples proteção da sacola plástica
Do súper
Não chegou a ser suficiente.
Ficou derretido,
No entanto,
Não menos gostoso.
Ao revés.
Tornou-se uma mousse de chocolate
Ou um sorvete depois de uns bons minutos à temperatura ambiente.
Tampouco se dissipiou no envólucro ao ser aberto.
Ficou muito bom;
Foi surpreendente.
Já não há mais a luz amarela do sol,
Tem até um vento fresco.
O tempo fez seu papel
Serviu, efetivo,
Para isso.
Depois, mudou.
E quem sabe não está,
Agora, alterado,
Mudando a vida
De outro alguém?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Buenas

Um egoísmo,
Um sobrelevodo outro,
Talvez o amor maior,
Mas relegado.
A singularidade que prevalece
Sobre a pluralidade de dois.
De dois ideais que já foram uníssonos;
Será que ainda são?
Por sinal, esta a dúvida eterna.
Sexta,
Sábado,
Domingo,
...
E nem bom dia,
Boa tarde ou noite
Se ouve, se le...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Elisa

Hoje, desde de cedo, uma frase me encuca a cabeça e me sugestionou a escrever este 'post': 'decisão (bem) política.' A frase é referente à vitória de Elisa, ontem de noite, no Master Chef Brasil. Por que cargas d'água o veredicto de vencimento da competição teria sido 'politicamente correta'? Confesso que não entendi. Seria por ser a moça mais moça a competir, ao menos entre os finalistas, quem ganhou? Ou por cozinhar com menos temperos e de uma forma mais tradicional? O rótulo do politicamente correto é profuso hoje em dia. E a preocupação em ser politicamente correto também. É 'modinha'? Sim, é. Mas não deveria sê-lo; as pessoas tinham de deixar o monóculo, o vezo de enxergar desse modo faccioso e olhar as situações como elas são, simples e luzidiamente. Elisa triunfou porque foi a melhor, cozinhou melhor na visão dos julgadores. Só isso. Para que a imaginação humana deriva a teorias de conspiração?

Pintalgue superveniente

A parede pintada, 
da casa velha ou da nova, 
mantendo a cor ou mudando-a; 
não importa. 
O que vale é a que a tinta
 será machucada, 
com o passar dos dias, 
meses e anos, 
haverá máculas:
 riscos, rabiscos esquecidos, 
manchas, 
umas mais outras menos escuras, 
maiores e menores.
 Na vida é assim também, 
com igual exatidão.
 Não se vive sem sujar a parede,
 nem se convive sem sofrer arranhão. 
Mesmo que repintemos
 nossos escaninhos vivenciais, 
o tempo se encarregará 
de pintalgar tudo de novo. 
E, por que não, ornar a humana,
 terrena, 
existência.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O Google ajuda

Mais espaço, 
Maior tempo sem mim. 
Presença demasiada? 
Maçada? 
Ok, entendo. 
 Talvez, esteja te ocupando muito realmente. 
A distância é salutar,
 A onipresença satura,
Cansa.
 Ok, entendo. 
Li observações, recomendações pelo Google: 
Estão a teu favor, tens razão
 E, não que precisasse, 
Consubstanciam o que pregaste
 E me chamaste a olhar. 
Desatento, não percebia... 
Tenho cuidado disso, percebe.
 Um afastamento providencial, 
De ociosidade pessoal:
 É o correto, já vi que sim.
 Só não vale te esqueceres de mim. Ni Yo de ti.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Logrado

E vai levar,
Ego,
Egoísmo.
A busca da amizade
A aceitação dos próximos.
O que interessa
Ou pensa interessar,
Que se dane.
Falsidade.
Amor pífio.
Me engana que gosto.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sem grita

À À raiz de uma crítica ouvida em relação ao comportamento de Paula Toller, voltei a pensar sobre a importância da postura social que um artista de vulto deve ter.

 Paula não é daquelas cantoras engajadas, com enérgico pensamento crítico político-social, nem falo de posição política-partidária, mas a comezinha, de uma pessoa atenta a seu mundo e que se indigna com as trapalhadas que pratica e e que o Estado lhe impõem. 

 Fernandas, Montenegro e Torres, são assim; Eva Wilma, Maitê Proença, para citar apenas mais essas personalidades, também são atentas ao contexto em que estão inseridas e 'abrem a boca' quando percebem coisas fora do lugar e pretendem que tudo se ajeite. 

 A intérprete de 'Como eu quero' não age de forma opiniática aguda, ela nem se manifesta sobre o escândalo de desvio de dinheiro da Petrobrás e aparelhamento financeiro de um partido político governista, só que fica ansiando a 'viagem de sua vida' ou seja, 'voltar para casa', segundo informou na entrevista de ontem, domingo, publicada no jornal Zero Hora. 

 Toller gosta de fazer seu trabalho e de voltar tranquilamente para casa, sem sobressalto ou incomodações. 

 É um estilo de vida. Não sei dizer se está errado. Difícil saber se o normal é a pessoa que se destaca publicamente procurar, lutar, por um mundo melhor. Acho que seria o natural, porém a posição de quem almeja uma vida mais pacata também é de ser respeitada, pois nada de errado ela faz conduzindo-se desse modo. E até interpretada bem direitinho suas canções.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O mal da política





Comumente, ouvem-se falas que, da política, dos políticos, só sai lixo e são algo ruim. Não penso ser um 'senso-comum' adequado - e nem conveniente - a propagação desse tipo ideário.

 Não me coaduno, pois é maléfico à Democracia. Desestimula o interesse, salutar e devido, do cidadão pela política. Por que alguém iria se ocupar com algo que é podre e fétido?

 Talvez, e muito provavelmente, seja podre porque o cidadão/eleitor não se interesse. Ora, o caminho é contrário ao propalado; a política brasileira é mal manejada. 

 Elegem-se os folclóricos, os destacados midiaticamente e outros sem estofo intelectual. Contudo, apenas votar nos 'célebres' não limita a responsabilidade do eleitor. A 'culpa' é, igualmente, por não acompanhar o trabalho de seu candidato eleito e/ou não vasculhar a vida pregressa de seu escolhido para votar. 

 O trágico fato é que não sabemos em quem votamos e nem vamos atrás de informações sobre os feitos daquela pessoa quando investida de mandato. A questão é: quem é verdadeiramente meu candidato? O que ele fez enquanto eleito?

 A situação é pior quando se trata de candidatos a parlamento, haja vista que são tantos e a possibilidade de escolha é maior. Pouca coisa melhor há no trato dos presidenciáveis, por exemplo, eis que são em menor número e são mais enfocados pela mídia e pelo votante. Quem, a propósito, não tomou conhecimento das falcatruas do governo atual?

 O exercício político no Brasil melhoraria, em boa medida, se levado mais a sério. Aí, até as pessoas mais decentes e comprometidas com a 'Coisa Pública' passariam a se envolver, os 'cidadãos-de-bem', uma vez que saberiam que seriam positivamente úteis e poderiam dar contribuição efetiva a seu país, estado e município.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Teu lado oculto

"Não julgues o próximo
Para que não sejas julgado". 
É um dito conhecido, 
 Quem nunca o ouviu? 
Mania que temos de analisar 
O outro por nossos conceitos, 
Nossos vontade e ideal. 
Discordamos de uma atitude, 
Criticamos, 
Julgamos, 
Condenamos até! 
No entanto, 
 Não é por mal, 
Foi por desconhecer teu âmago, 
A profundeza de teu ser: 
Teus medos, 
Tuas angústias, 
Tua insegurança, 
Teu lado mais obscuro... 
Errado julgar?
 Pois bem, porém
 Nunca te abriste inteiramente, 
Tampouco te entregaste
 Ou te integraste a contento.
 Por que não dividiste 
 Teus temores, 
Desvelando quem, 
De verdade, És?

Rememorações de quarta à tarde

Ontem estive no velho estádio do Grêmio, já apelidado de 'Velho Casarão', o Olímpico Monumental. É um estádio desativado com o advento da Arena e, segundo se anuncia, prestes a ser implodido, se bem que se refere da demolição há quase dois anos. 

Fazia tempo que estava por ir, tinha convidado um ou outro amigo para isso, mas nunca se definia o momento e, portanto, não se concretizara essa visita de vistoria do atual estado daquele veterano campo.

 Resulta que, por motivo de ida à loja Grêmio Mania, fui até lá. Muito bom, adquiri presente que queria e resolvi avançar a adentrar ao estádio, num percurso de rotina de tempos atrás.

 Não posso dizer que estiva cheio como em épocas de antigos jogos, mas, para minha surpresa, estava muito longe de estar vazio. 

Havia muitos carros estacionados, o ônibus da delegação gremista parado abaixo dos arcos do pórtico - aliás, os típicos três arcos esses não iriam para a Arena? - enfim, era um ambiente vivo e movimentado. 

 Ainda mais, denotando a pulsação do local, ao avançar até as sociais, percebi que havia treinamento da equipe profissional e que várias pessoas assistiam ao treino que, naquele ponto ao menos, consistia em cruzamentos e arremates, nas na grande área. 

 E por dentro, além do impecável estado do gramado, de um verdor intenso - quem dera a Arena aquela tivesse o mesmo piso -, ressaltado pelo brilho dourado do sol próximo ao ocaso, vi a plenitude das arquibancadas, tudo inteirinho. 

 Um campo que muito bem poderia estar operando para partidas oficiais do Grêmio até hoje, bonito, pleno, histórico e bem localizado que é, diferente da lonjura e da má acomodação da Arena, em que se senta na cadeira e se encosta o joelho nas costas do cidadão que senta a frente. 

 Olímpico, querido, és, de fato e de direito, eterno!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Correta a Martha Medeiros

Bem apanhada a crítica de Martha Medeiros em ZH de hoje, 1º/10/14. Diz a colunista que há uma apologia a peças teatrais que envolvam o riso, a graça, como se a comidicidade fosse sinônimo de excelência. 

É verdade isso e, imediatamente, lembrei-me que 'O Sexo E As Negas' tem mais êxito de audiência do que o 'Roda Viva', por exemplo. Não sei de dados do Ibope, porém certamente é isso que deve ocorrer. 

 Da mesma forma, as pessoas vêem debates eleitorais buscando o bate-boca, a 'tiração de sarro' entre um candidato e outro: o que agrada é o 'quebra-pau' ou gracejos nas falas e posturas diante das câmeras, tanto que em seguida viram top trending ou 'meme' logo em seguida. Ah, e no dia seguinte é só do que se falará. 

Obviamente que a graça faz parte da vida e é necessária. As pessoas devem mostrar seu dentes e estar contentes com suas vidas, esse é o natural e o que o nosso famoso 'homem médio' deve pretender. Contudo, não é só disso que se sobrevive.

 Concordo com a precitada articulista que a reflexão tem seu peso também. Isto é, voltando ao exemplo das peças, uma apresentação de crítica de algum fator da vida e da sociedade há de ter seu valor, seu interesse. Infelizmente, não teria muita gente na plateia. 

 Avanço um pouco mais, asseverando que a causa desse panorama de (des)interesses pelo sério/reflexivo é cultural, do pouco incentivo estatal, por evidentes razões, à evolução cultural de que dispõe o brasileiro. Importa bem mais saber das músicas e do novo clipe de Miley Cyrus ou do 'Ultraviolence' da Lana Del Rey - e dessas moças só tomei conhecimento por más influências, é bom que se diga - do matutar sobre o significado intrínseco da mudança de nome da Av. Castello Branco na Capital do Estado do Rio Grande do Sul. 

 O que resta é nos aculturarmos por conta própria e escrever um ou outro poema autorreflexivo de vez em quando.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Como blindar sua vida

Tentando ouvir o som do rádio, 

Notícias ou uma música, 

Quando percebo dificuldade 

No êxito dessa tão fácil ação. 

Noto mais, 

Uma barulheira do trânsito que invade 

 O interior do carro através da 

Pequeníssima fresta da janela.

 E como incomoda. 

E como é simples resolver,

 Basta, tão só, subir o vidro, 

Cerrando a fenda 

 Que conectava àquele inferno sonoro. 

Uma ligação até involuntária, 

Imperceptível ao primeiro momento,

 Mas que resultava num desassogego 

Inconvenientemente desmesurado, 

Tumultuando o ambiente, a manhã singelamente gris. 

Importante é, pois, 

 Que lacremos o fio de contato, 

Por menos insignificante que possa ser e 

Que ainda nos remete,

 Nem que seja em pensamento, 

Aos tormentos com os quais

 Não se precisa mais conviver,

 Exorcismando-se os 'demônios' de antanho.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Como se fosse um irmão Grimm

Não se faz conversa só com perguntas e respostas. Há perguntas que, de tão tolas, Irritam quem é forçado, por educação, a responder. E quando a pessoa é insistente ao questionar, Repetindo a pergunta como se não tivesse sido ouvida? Outras gentes são, talvez, piores: São as que nos submetem a perguntas invasivas. Já eu prefiro não perguntar nada de mais Se percebo que o interlocutor é muito perguntão; Não pergunto para não ter de responder Muito sobre muitas coisas Ou ter de falar certos assuntos. O bom é contar uma história, Opinar sobre algum fato momentoso, Do tempo quente e úmido típico de Porto Alegre. E sei lá mais do que abordar. Porém, disso tenho certeza, Quem não quer falar Tem que contar estorinha E dominar o papo, Senão já era.

domingo, 28 de setembro de 2014

Teu tortuoso caminho

Não eras assim.
Ou eras que não notei?
Impossível, eu repararia.
Verdade que não te conheci,
Tentei, tentei e tentei...
Mas nunca te revelaste,
Jamais desvelaste seu âmago existencial a mim.
Tens medo dele, 
Teu mais recôndito sentimento interior?
O que se passa nele,
Nesse labirinto pronfundo 
E obscuro de tua existência,
Se é que tu acaso o saibas?
Imagino que nem tu saibas,
És um ser tibubeante,
Claudicando nos modismos,
Buscando aparecer e 
Ser um ser notado.
Mas não mesmo,
Não eras assim.
Enfim, segue teu caminho errante 
E incerto,
Se é o que te conforta.

sábado, 27 de setembro de 2014

Quando para nós tudo encerra

A relação que finda.
O rancor que surge.
Vá lá, é humano,
É natural? Pode ser,
Mas até certo ponto.
Há desgostos intestinos
E há os publicados,
Os exteriorizados.
Nesses, o perigo é eloquente.
Se passa da realidade 
Da ruindade ocorrida
Para um 'horrorizamento'
Uma espécie de maximização
Do que era ruim.
E nem tudo foi ruim,
Lógico que não;
Havia muito de bom.
É preciso tempo para se distanciar
Da cólera que acoberta o término.
Porém, no revanchismo da mágoa, 
O bom
Se apaga.
Ao menos, por ora...

A taciturnidade enfeitiçada daquele ser

O pior tipo de pessoa é o fingido.
O fingido é muitas pessoas.
E não é nenhuma.
Ele ilude,
Te faz pensar estar agradando
Quando não está.
Ou está?
Ele não percebe
O momento de cessar 
A farsa de sentimentos.
Não consegue identificar 
O que é fajutice ou quando gosta.
E se gosta enega?
Aí já é fingido ridículo:
Tem tudo, um sentimento
Nutrido e amor,
Mas tem a ridiculeza
De seu mundinho perfeito como meta.
No fundo, ele sabe que nunca o terá,
No entanto, Jamais se contentará com o que tem.
Sempre fingirá ser feliz,
Porém nunca o será verdadeira,
Intimamente.
De veradeiro não tem nada,
Apenas os frágeis alicerces de gesso,
Que sustentam a pesada
Personalidade  - fingida (e ridícula) -
Entranhados em seu opaco ser.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Silhueta da camiseta branca

Na visão da camiseta branca, Espaldada, Seguida de movimentos de cabeça, Conversa e animação das mãos; Risos e sorriso alvo. Reminiscências! Ali adiante aportou, Contudo, A razão. A percepção racional Dizendo baixinho ao ouvido Que a imagem não é bem aquela Vista de soslaio. A amistosidade é uma Errada interpretação Apressadamente encontrada. Não há, de rigor, A recepção, A partição do bons sentimentos. Reina um individualismo pleno. Tristemente se constata, Mas o mundido separado É seu abrigo, isolado, Secreto... E sem percalços ou entrega.

O BEM como um ato autêntico

Hoje começa mais um ano judaico, o de número 5775. A 'virada de ano' é chamada de 'Rosh Hashaná' e se celebra com os judeus nas sinagogas, os quais chegam ao entardecer e participam de rezas, jantares festivos e comem maçã com mel; findam as comemorações dez dias depois, no Yom Kipur - Dia do Perdão -, em que os seguidores da religião devem fazer jejum absoluto por 24 horas. 

Os islâmicos, a seu turno, também possuem regras rígidas de período de oração e, especialmente, de jejum, durante um mês, no Ramadã, entre o ocaso e a alvorada. 

 Exatamente, à raiz da rigidez exigida à prática religiosa, é que me oponho. A religiosidade, dentre suas características, está a devoção ao deus, seja ele quem for e que nome for-lhe dado, e a expressão de afeto, consideração e solicitude ao ser humano próximo. 

 Pois bem, os atos fraternais e de temência hão de ser espontâneos. A caridade também. Que valor pode ter a adoração, com rezas em eventos previamente demarcados, se a pessoa não estiver intimamente envolvida, se não fizer aquilo por vontade própria? O sujeito faz porque é um trajeto necessário e compulsório se quiser alcançar o melhor caminho 'post mortem'. Ele acaba fazendo por recear ser direcionado ao pior fim quando se for deste mundo. É o medo do 'horror das trevas' e não uma ação livre de bondade e crença no Ser Superior.

 Então, o que me agrada no Catolicismo é não haver essa obrigação inexorável a prática de determinados atos - nem mesmo ao dogma maior de não comer carne na sexta-feira-santa; o comensal é liberado do respeito, uma vez que seja a forma de se alimentar naquele dia e não tenha outra opção de comida. E quem mais comer, mesmo num ato de certa revolta à norma proibitiva, acabará, se posteriormente arrependido, perdoado. 

 Ou seja, a base de tudo é a análise se a criatura humana de Deus é boa e tem os atos de bondade, para com Ele e com o próximo (e a natureza) no seu âmago. Se realizar livremente o bem, independentemente de pressão, aí 'tá valendo', pois é o autêntico bem.

 Esse é o correto. O bom é positivamente bom se assim o for interiormente e, por consequência, acabar-se conduzindo e postando-se ao longo de sua vida. 

 A propósito, no ensinamento bíblico - e ultimamente realçado em missas das quais participei -, é asseverado que o comportamento da pessoa mais praticante, mais atuante consoante a 'cartilha' católica, não é filho de Deus com maior valor e melhor de quem não age à risca todas as regrinhas desse 'manual do católico', não tendo necessariamente o comportamento modelar/padrão frente à religião.

 Anda religiosamente bem quem quer fulcralmente o bem e não quem é quase que coagido a rezar e seguir o roteiro da boa prática religiosa, submisso ao medo de punições em seu porvir.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Mau e Insano

Mentiras. 

Alinações. 

Uma ou outra.

 Quem sabe, as duas possibilidades?

 Um bocado de má vontade, 

Rasa, despeitada e vingativa. 

Outro, tanto é perturbação. 

Cuida-se de um desastre de avaliação, 

Que contexto idealizado para indução a erro! 

Autodefesa, escudando-se de seus próprios equívocos, 

Flagelo comportamental. 

Elide-se de responsabilidades, 

Infenso a sentimento de culpa. 

Realidade irreal 

Que abusa da benevolência 

 E da paciência de outrem à volta. 

Joãozinho do Passo Certo 

Que não é bem certo. 

Tosca e desestofada criatura,

 Estimo melhoras.

Carrie Bradshaw aprendeu na marra

"Sex and the city" é uma série, são dois filmes, que tratam de quatro amigas nova-iorquinas e suas aventuras vivenciais, enfocando sobretudo relacionamentos afetivos e sexuais das moças. É interessante. 

Assisti o filme 2, que retrlata uma época de marasmo em suas vidas, quando já mais velhas, deixaram a vida se acomodar, com três inclusive casadas. 

Para 'dar uma agitada' em seus viveres, acabam viajando a Abu Dhabi e se confrontando com a conservadora sociedade islâmica, em que mulheres devem ser bastante recatadas. 

A comédia desenvolve-se  nisso com bastante graça. No entanto, enfoco a situação de uma delas em que, para não variar em quase toda relação, apesar de estar com quem gosta muito, está descontente por o marido 'estar muito acomodado' na visão dela, pois pensa em programas noturnos mais intimistas, como ficar em casa vendo filmes (antigos) e pedindo teleentrega para o jantar. 

Ela, Carrie Bradshaw, quer mais. Pois bem, nessa viagem aos Emirados Árabes, se reencontra, por acaso, com um antigo namorado e com ele acaba saindo e jantando. Surgiu um clima de reminiscências e de flerte, finalizando-se o encontro com um beijo na boca. 

Arrependida, toma a decisão de telefonar e contar ao companheiro, Mr. Big. Ele recebe a notícia secamente, expondo seu descontentamento, ainda que não expresso. 

Ao retornar à Nova Iorque, ele não foi recebê-la, custando tempão depois de sua chegada para aparecer em casa. 

Aí, tiveram uma conversa. E o comportamento dele chamou atenção. 

Foi modelar, perdoou-a e fê-la entender que o mais importante na relação conjugal é o sentimento, forte, de amor recíproco e que o deslize dela, a insatisfação dela igualmente, são percalços, são contrariedades pontuais numa vida a dois, em que gente (tão) diferente passa a conviver.

 Eis a lição relevante que se extrai do filme ;Carrie passou a ver o sofá e a tevê nova que ganhou dele com outros olhos. 

Ponhamo-nos a pensar, pois. Seremos melhores e mais maduros.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Medo Vão

Resisto a mudanças. 

Sempre resisti, 

Mas elas vêm 

E mudam a vida. 

Nada de muito transcendental; 

São pontuais, 

Ainda que relevantes. 

Não sei dizer, 

Talvez um temor no que pode acontecer.

 Algo que surja e revire a vida levo

 (que é mais boa do que ruim). 

Só que, agora, concluo, 

Trata-se de um receio bobo. 

Perpassando - mental e analiticamente -

 Os medos meus, 

 No cotejo com o que, efetivamente, se alterou, 

Vejo que mais ganhei do que perdi. 

Apreensões que foram vãs. 

Mais e mais, crendo no que se convencionou chamar 

De o Segredo do Universo. 

É a jornada que cambia para melhor. 

De novo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sai, Capeta

Quebrei um copo esta manhã, 
foi involuntário: 
estava com o vidro 'suado' 
da minha sempre gelada água. 
E escorregou de meus dedos, 
 quiçá ainda sonados. 
Espatifou-se em mil pedacinhos 
(ou nem tantos); 
embrabeci por ter de recolhê-los. 
Contudo, amenizei. 
Lembrei que a quebra significa - 
e tanto se fala que creio veraz - 
que quebrando se vai a energia ruim. 
Atingiu o copo e não a mim. 
Assim que, na graça, pensei: 
Xô, Satanás!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

La Basque

Um relacionamento entre gentes enamoradas, 

há encontros, 

vontade de estar junto; 

declarações expressadas da comunhão de sentimento: 

o mútuo amor.

 Da companhia na tarde ensolarada de sábado, 

aos risos, 

 conversa fiada comendo sorvete do La Basque. 

Mas, é, também, a melancolia 

cumpliciada da despedida na noite de domingo,

 já se prevendo a dificuldade de encontro

 em meio de semana. 

No entanto, carece-se de luz 'mas grande'. 

O fenômeno da entrega!

 Dizer-se amante e amado

 São lindas palavras.

 Porém, no gestual imponente

 de autodesnudamento da alma,

 aflora o sinal, inequívoco e extenso, 

do amor

no saboreamento a dois.

 É belo, raríssimo, quando acontece. 

Lastimemos, ilusoriamente, ao menos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Friday. Be happy.

Um amor,
Nega-se.
Mas ele existe.
O amor da vida sempre existirá.
Não adianta o escamoteio modesto dume sexta-feira qualquer.
E nem é combalido porque se quis findar.

Bem-me-quer, mal-me-quer

Sem crítica, não há autenticidade. Porém, não se critica a qualquer criatura. E nem se deixa de fingir. Vá lá! Se é tanto mais hipócrita A quem menos se quer; melhor dizendo: a quem menos se é íntimo, afinado. Falsear a verdade é até normal a quem se encontra sentado na portaria. Também o fingimento de alegria, Um sorriso de meia-boca num gesto cavalheiresco. Só que, ao chegar em casa, atira-se longe o sapato, quase acertando o cãozinho desprecavido. Na opinião sincera é que prospera a bem-querença.

Impactado, SQN

São o que não importa mais.

  Críticas desairosas,

  opiniões avessas;

  rusticidade e rispidez.

  Antes, machucava.

  Doía.

  Mas não mais.

  Posicionamentos

  (e deles a forma de exprimir),

  Tem força coercitiva,

  ou emocional,

  alguma mais.

  Nova (i)receptitivididade.

  Novo tempo, de diminuto impacto.

 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Antes que me torne um Bozo

Temos atitudes que, por vezes, não sabemos explicar. Fazemos algo sem exatamente saber porquê. 

 Eu, por exemplo, gosto de cortar o cabelo em lua minguante. Por quê? Porque ouvi dizer, ao tempo do calendário 'Pilomax', que a lua influía - não só nas marés e pesca - mas também no crescimento capilar.

 O tal calendário pretendia que pessoas com tendência à acomia cortassem no dia xis, pois aí a retração de crescimento cessaria; esse ilustrado ser passaria, com a constância do corte no dia certo, a ser cabeludo de novo. 

 Meu pensamento foi em sentido avesso. Como tenho cabelo até demais, entendi por bem em ir ao cabeleireiro em período de lua que corresponda ao 'último quarto'. Funciona? Não sei.

 Nem nunca tive qualquer informação a confirmar essa minha ideia primaz. Nem ratifiquei e nem deixei de fazê-lo, apenas sigo o costume no período lunar. 

 Cá entre nós, tanta gente tem seus hábitos, manias até, sem que justificativa plausível tenha. Será que para tudo que se faça tem de haver uma resposta com fundamento científico?

 Penso que, não havendo contrariedade a terceiros, não se prejudicando a ninguém, que razão haveria para desmanchar um costume? Ah, mas isso é mania e manias podem ir-se avolumando e tornando-se mais severas e patatipatatá.

 Até pode ser. Provavelmente não , penso eu,  e só fique na singeleza pobre daquela ou de outra maniazinha. E quem não tem sua mania disso e daquilo? 

Bom, enquanto se pensa a respeito, vou ali no 'Google' para determinar a próxima lua descrescente, pois estou a precisar dela antes que me torne um bozo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Seres poluentes sonoros

A maldição da poluição sonora. Não é segredo que entendo ser muito desagradável o ambiente ruidoso. O tumulto sonoro é das coisas mais opressivas a meu ver. É deveras inquietante um falatório próximo, com brados, gargalhadas estridentes, falas intercaladas e em volume alto.

 Nada contra a alegria alheia e a liberdade de expressão dessa felicidade, só que penso ser xarope para que está de fora, vendo um tentando gritar mais do que o outro. É uma pedra no sapato (ou no ouvido). 

 Televisão acima do 40 no volume também; rádio e sons mecânicos/elétricos idem, a menos que em ocasião de festa e com teor alcoólico significativo. O que mais atrapalha nosso viver sossegado é a cercania à barulho de obra: aluimento de parede, quebra de piso, marretadas a torto e a direito, estes são tormentos inegáveis.

 Mas voltando ao mais comum, a conversa espalhafatosa, é um mal que se depara a qualquer instante e em qualquer lugar. Quando menos se espera, tu, ali, por exemplo, compenetrado no trabalho, de repente algo te desconcentra, te tira do prumo. A inquietação provinda dos autos decibéis é surda, te aflige e não notas de pronto. Contraditório, não? Mas é fato, acreditem. A barulheira nos pega despercebidamente, é ladina. Porém, muito nociva. 

 Toda atenção é importante, não que isso vai te proteger, no entanto facilita que o queixume contra a poluição sonora comece mais cedo. E quem sabe se empece outra discussão, poluindo os ouvidos que antes eram poluidores. Uma revanche ou um duelo de vozearias talvez. É válido e vingativo. Ou não?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O transe do capote ilustrado

Um capote lustroso, acetinado. 

É muito bonito, 

 avistado a certo distar. 

De perto, também agrada. 

Porém, à proximidade, 

vai enjoando, até enojando. 

À escassa distância não é belo. 

Deslustra o brilho que era aparente. 

Desbotou. 

Deixou de hipnotizar. 

Logo, logo, cai o transe.

Nobilíssimo sábado

Um fíndi com sábado chuvoso é meio.
De tarde, sábado de tarde,
Sábado à tarde.
Cielo negro,
Guampa d'água.
É meio!
Não é um final de semana por inteiro,
O almejado e esperado a semana toda.
Pode até ter a opção frenética da noite sabatina,
Mas a tarde é altar de igreja,
O tempo nobre, meu, precioso,
A jóia da coroa,
A coroa do rei.
Sábado passado choveu;
Triste, desiludiu-me,
Nada me comoveu.

O cercamento do oásis

O começo é lento, não se sai gostando de alguém, perdida e verdadeiramente, em poucos dias de (con)vivência, mesmo que esta seja de forma íntima e intensa.

 É muito simples, desconhece-se a pessoa. Quem ela é? Ainda, nas primeiras semanas, ignora-se quem seja. Ou mais, é-se autoadvertido que não pode ser somente um alguém que te passa elogiando, que tem uma permanência, talvez pelo deslumbramento ou pela força de um sentimento afetivo muito bom correspondido, de boas e lindas palavras a ti, num discurso de frases galantes que pode ser muito fiel ao momento, mas que se sente fazer parte apenas daquele período inicial. Tu sabes que não és tão maravilhoso como esse ser tão atraente te diz.

 Não que se aguarde um depois ruim, no entanto não é tudo tão maravilhoso como nesse começo encantado de relacionamento. Essa magia é ótima, embora se pressinta, ainda que na inexperiência relacional, que uma hora vai acabar; que se torne mais espinhoso, todavia que siga bom. 

 Aí é que são elas. A partir de então, principia o conhecimento legítimo, autêntico, de verdade. É quando se toma pé de quem é efetivamente quem estamos interligados; não que o feitiço prévio não faça parte, entretanto é temporário e não definitivo. 

 No transcurso dos meses é que se vai maturando a relação, queda-se, ou não, gostando de outrem. Isso leva tempo, até que se criem hábitos e gosto no perene contato, na alegria de falar coisas, simples ou profundas, a qualquer hora e/ou várias vezes durante o dia. Nesse viés, é sintomática e muito expressiva a taquicardia no recebimento de mensagem no telefone celular e a ansiedade em descobrir o que foi remetido/postado por quem se quer muito. 

Contudo, com esse aprofundamento do relacionamento, também pode vir o afundamento. Quando o retrato do panorama comum passa a não ser mais tão colorido como antes. Quando a tensão preponderantemente deixa de ser o 'friozinho na barriga' e torna-se mais um motivo para uma irritação qualquer, outro estresse no já conturbado contato a dois. 

 O final, assim, também é vagaroso se não se extingue a amorosidade mútua, senão que se nota que o desgosto toma corpo, formando uma barreira imponente ao simples sentimento bom.

 É como se morasse num deserto próximo a um oásis que sempre se foi junto, mas que, de um tempo em diante, foi-se erguendo, involuntariamente, um muro, impendido-te de chegar lá, ao menos não sem que se tenha de aventurar e, a caro custo, atravessar a murada alta. Uma hora a gente se cansa de tanto percalço e cuidado para se estar 'de bem'. 

 Ah, mas demanda tempo, não é só excluir um aplicativo cerebral e pronto. Necessário, no mínimo, reformatar toda a máquina...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Limonada de limões sicilianos

Terminar e odiar é mais fácil.
 Morre o relacionamento afetivo/amoroso,
 nasce o relacionamento afetivo/odioso. 
É bem mais fácil, tudo de bom se deixa, 
ficam para trás numa remota existência 
sepultada num cemitério de campanha 
improvável e sem identificação do jazido. 
Ou vira um amor cremado, 
com cinzas espargidas, 
no Dilúvio,numa corrida, 
de esquina a esquina, 
em uma quadra qualquer da Av. Ipiranga. 
Piora-se quando o sentimento amargo, 
de acabamento, é a frustração. 
O malogro de não ter podido vencer, 
perpassando os entraves múltiplos,
 pois restaram em adoentar, 
letalmente, a união. 
Foi como em um jardim botânico, 
montado na falda de um vulcão que, 
sendo pré-eruptivo, 
 elimina uma fumaça grossa;
 a fuligem acinzentando
 o colorido das flores. 
A acidez virando amizade é o que mais convém. 
É como o açúcar sendo posto,
 às colheradas, 
pequenas, mas firmes, 
nessa limonada epilogar feita com limões silicianos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Face carregada

O estressado preocupa-se com tudo. Qualquer fato um pouco fora do normal é suficiente para tirá-lo do prumo, o qual, aliás, não é lá muito estável. Funciona, mais ou menos, como numa trilha de formigas em que uma é morta: todos as demais enfileitadas entram em polvorosa.
 O nervoso se impacienta e não descortina com clareza o que o panorama dos fatos e, por óbvio, complica seu pensar na resolução do problema, que, no mais das vezes, é uma bobice. É algo de rasa complexidade de solução. Os temas difíceis, bom, esses são duros para qualquer pessoa, não é 'privilégio' do 'nervosinho'. 
 Outra característica é a repetição, é a fixação no que está, no seu tortuoso modo de ver as coisas, errado. Fica por demais afetado, desconcertando a sua, natural, 'nada mole vida'. Tudo é penoso, imagine-se então com mais um probleminha tolo. No entanto, a rotina de intrincada jornada é obra sua; ele que a torna árdua. O agravante é espalhar sua ansiedade aos circundantes. Não é incomum isso acontecer.
 Por ficar tão alterado, são consequentes suspiros, resmungos, agitação em seus movimentos. O 'clima', à sua volta, vai-se tornando denso; é toldado por aquela nuvenzinha preta, com raios e trovões, que se via em desenhos infantis de antigamente. À toda evidência, os trovejos alcançam os colegas de trabalho, o estrondo é alto.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

"Manihot Esculenta", vulgo aipim

Aipim ou mandioca? A discussão surgiu à raiz de a raiz, do vegetal, cozido na água, estar servido numa das repartições do 'buffet'. 

 Disse, uma comensal interiorana à mesa ser mandioca, ao que se insurgiu a moça serrana: aipim é o correto. Também, penso assim: é aipim, cozinho, frito, assado, em forma de bolinho recheado ou o que for. 

 Foi surpresa, não imaginava ser nominada a "Manihot esculenta", a 'macaxeira' nordestina, que sempre soube ser aipim, ser dita, por algum conterrâneo, como mandioca.

 É estranho. No entanto, a nominação é variada, altera-se até de um andar para outro de um mesmo prédio profissional; muda a centímetros de distância em verdade; basta que uma pessoa, com diferentes formação e experiência, esteja ao lado ou na frente. 

 Concebe-se o chamamento de mandioca em Porto Alegre, mas na modalidade de farinha tão somente, aliando-se a de trigo, de rosca/pão, de milho, entre outras.  

A bagagem de aprendizado de cada um vai nortear, não só a maneira de como denominar as coisas e aspectos da vida, mas orienta o modo de se proceder de encarar sua existência terrena. 

 Somos 'el equipaje' que apreendemos, a agregação daquilo que temos de ensinamentos e experiências, mais o entendimento de como pensamos ser o mais adequado. 

Não existe uma verdade absoluta para a maioria dos fatos e atos pelos quais nos deparamos, menos ainda a forma absoluta de chamá-los. Entretanto, tenho meus jeitos e nomes, faço campanha e os defendo como os mais acertados. 

É uma linda controvérsia. E qual discussão não é?

A dancinha pavilhona

O dia é quinta-feira,
Manhã alumiada numa luz que já é de primavera,
Olho para cima, há a parede predial
que, de vidro,
reflete o tom celeste.
Mas é bem mais.
Na mesma nuança,
ponteando a borda,
bandeirinhas brasileiras,
brasileiras e sul-riograndenses,
balouçando ritmadamente
ao sopro do ar morno setembrino.
Elas estavam dançando!
Me lembrei da marcha
Da Semana da Pátria!

Perigo no que se parece acertado

Aqui, um pensamento.
Acolá, outro.
Dois tempos, duas opiniões.
São posições antagônicas,
Um querer mais,
Ou menos.
A vida ou uns momentos?
Só faltou honestidade,
Tudo bem explicadinho.
Ora, na hora e bem bom, 
Mas e depois?
Aliás, sem a definição do após
Existe o agora?
O correto é tudo às claras;
Quero ver quem encara...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Quem é 'bon vivant' ?

Matutando sobre o que é vida, a reflexão derivou a que pensasse que 'o que é a vida' é vago, complexo e divergente demais. Não importa tanto a definição. O que realmente vale - na vida dessa ou daquela pessoa - é o MODO como se vive. 
 Se o viver for respirar, pensar, locomover-se e etc, tudo está mais para um plano de fundo do que na essência vital. O estigma do 'saber viver bem' é a marca da boa vida, brinde ao legítimo 'bon vivant'.
 O que significa saber viver bem? Está sim é a questão preponderante. A resposta é variada, depende da pessoa, depende ainda mais: depende do humor, do estado de espírito dela naquele dia, naquele momento. 
 Pode ser um 'subway' antes da aula, um faceirismo ao se tomar logo um ônibus mal se chegando na parada. Pode ser ouvir determinada canção de que se goste, ir ao cinema com alguém querido; ou não ir achando que se isolar é o melhor em uma circunstância. É tudo isso, estar-se feliz em ter conquistado um pequeno plano diário. É ser feliz várias vezes ao dia. 
 Saber viver bem é se contentar com o que se lhe apresenta no panorama vivencial, aquilo concreto que se obtém. Não é, de outra parte, o 'se contentar 'de se apequenar, de não almejar mais da vida nos super-sonhos, porém também não é o se entediar irremediavelmente por não atingir os seis acertos da mega-sena. 
 Sim, pode-se desejar caminhos a percorrer na vida, os melhores possíveis, mas igualmente não se martirizar por não os alcançar. É conseguir se satisfazer com o que foi possível ter.
 Estar insatisfeito não ajuda, assim como querer novidades, mudanças (para melhor logicamente) e inovações impulsionadoras, dando um 'up grade', ao se dobrar cada esquina. 
 Sonhar e querer mais é mais é lícito e justo. Mas também o que se tem pode ser muito bom, desde que se satisfaça, que se retire, com serenidade, o melhor da época pela qual se está atravessando. E, por que não, aprendendo-se.

Erat Nigra

Sim, sim.
 Esfumaçou-se, 
Embora reste fuligem no ar. 
São grãos esparsos; 
 porém não mais o peso do picumã espesso.
 O celeste no horizonte, bom, é o que aparecerá. 
As golfadas da ternura,
 fraternal e amistosa, 
Hão de levar, em lufada,
 O betume dos tempos de outrora. 
Importa é que pretume do céu, 
as nuvens escuras e pesadas, 
dissiparam-se ao léu.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Oizinho

O ato de cumprimentar pessoas conhecidas, as não tão próximas, senão as apenas ditas 'conhecidas', requer cuidado; é uma ação nervosa, tensão. Ou seja, não é uma atitude espontânea como se pensaria. Falo de gente com a qual não se mantém contato natural de convivência, e é, por exemplo, alguém que só se conheça de dar um 'oi' qualquer numa fila de buffet ou de um elevador. Não se tem maiores vínculos, não se sabe nome - o que no meu caso, diga-se de passagem, não é muito difícil de ocorrer -, não se sabe nem onde trabalha, refiro-me ao setor exato do mesmo prédio em que eu laboro. Pois bem, o 'oi' quando se encontra, solitariamente, essa pessoa é um, tem até um ar de naturalidade, esboçando-se, de repente, um sorriso. Já não é o mesmo 'oi' quando se depara com a pessoa com mais outras junto. Ah, aí que está a questão. Não é a qualquer um que se cria a espontaneidade de cumprimentar quando está num 'bolo de pessoas', pior fica se essas pessoas do 'bolo' forem desconhecidas igualmente. Há um natural tolhimento, em hipótese alguma sai um expansivo cumprimento, no máximo uma saudação encabulada. Ou pior ainda, um olhar sem palavras, indeciso se virará um 'oizinho' ou não. Esse cruzamento de olhares, mudo, esgueirado, pode significar um constrangimento mútuo, sinalizando que tu e o(a) semi-amigo(a) se viram, porém, por uma razão aleatória de vida, acharam por bem não se falarem. As vezes, por não se ter intimidade, prefere-se não se falar, fazendo de conta que não se viu. Isso acontece mais por vergonha de interromper o(a) conhecido(a) no grupo em que se está; ora, tu não és amigo dele(a), os outros é que são, então 'fica na tua' e não atrapalha. O complicado, nessa situação, é não parecer arrogante. É só vergonha. E se se cumprimenta o(a) outro(a) e ele(a) faz que não vê? Isso, cá entre nós, acontece muito. Bom aí nós que passamos a criar teses conspiratórias quanto ao não cumprimento, o cumprimento não respondido. Em todo o caso, um olhar amistoso, com sorriso ou não, sempre cai bem e não se fica com fama de antipático pelo menos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Avenida da Legalidade

A mudança de nome da Av. Castelo Branco para 'Avenida da Legalidade e da Democracia' fulcra-se na ideia de que o nome anterior era uma espécie de loa à época do Governo Militar. Castelo Branco foi sim um general que presidiu o país no apelidado "Anos de Chumbo", os tempos de Ditadura Militar. Em verdade, o sistema que tivemos de 1964 em diante não foi o legal e de atenção às formas prescritas de eleição do Presidente da República; a sistemática normativa foi rompida pela implantação de 'governo de força'. Contudo, Castelo Branco não deixa de ser presidente - e isso é história - e não se apaga o que aconteceu naquele tempo com a mudança de nome de uma das grandes artérias porto-alegrenses. E nem é de ser escamoteada a história mesmo, é de ser lembrada, para o bem (sim, houve coisas boas), e para o mal. De nada adianta forjar uma troca na nomenclatura para simples e recalcadamente fugir do que não se aprova ou se repudia veementemente. Getúlio Vargas igualmente foi ditador, burlou as regras normativas para se manter anos a fio no Palácio do Catete. Nem por isso, deixou de ter sua participação na história brasileira ou, tampouco, viu-se movimentos legislativos de mudança de nome da avenida que leva tem seu 'apadrinhamento'. Há de se falar, ainda, que o nome de uma via do porte da Castelo Branco não é substituível assim no mais da cabeça e do costume das pessoas. Andradas, até hoje, é Rua da Praia. Também, não se renega a importância histórica do movimento de resistência que foi o da 'Legalidade', a qual também mereceria nominar alguma vultosa avenida da capital, porém não é 'deletando' um nome tão relevante e ficando nas memórias da cidade que isso deveria acontecer. Que outra via viesse a se chamar 'Legalidade'! Existe uma chance remanescente para conter o projeto do aprovado na Câmara Municipal ontem, qual seja o prefeito vetá-lo, algo que, imagino, não deve ocorrer lamentavelmente. Castelo Branco memoralmente sempre será Castelo Branco.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Rechaçando a picardia

Final de semana de agosto Com gosto de verão. Surgiu aquele espesso e grosso ar dos tempos de estio. Clima à feição de praia, Quiçá uma água, molhando e salgando, marítima no corpo. Seria boníssimo. Porém não consegui; O dever de casa me conteve. Nem corrida ou bicicleta à tardinha, na sempre admirada, Vista da foz do Rio Tramandaí. Nem fiquei por aí! Exercício houve E braçal! Ergui, e bastante, o cortador de grama, O velho (porque o novo não operou). Mas tudo bem... cortando o matagal que estava Sumiu bem a estafa mental, Rechaçando a picardia.

sábado, 23 de agosto de 2014

Coração leviano

Ah, meu coração,/
Que engano!
Fui esperar por um bem/
De um coração leviano/
Que nunca será de ninguém.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Um pouco sobre viver

A vaga luz da noite
Dum dia perdido
ali, acolá
A vontade de ser livre
Numa charla ali
Mas solta!
Sempre!
Sem amores doidos,
Com dementes tidos por sanos
Sofri. Vivi.
Sobrevivi
E isto ê o melhor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Marinou tudo?

Nesta centésima publicação, tem lugar algumas palavras acerca da chapa de Marina Silva e de Beto Albuquerque à Presidência. Pois bem, não que queira me alçar a master entendido de política, mas tenho o costume de acompanhar informações afetas, seja por simplesmente gostar, seja por entender a importância que ela tem na vida de cada cidadão, demarcadamente em época eleitoral. Com o desaparecimento de Eduardo Campos, cabeça de chapa do PSB e partidos coligados, a candidata natural seria Marina. Ela foi postulante ao cargo de Presidente da República há quatros anos. E não fez feio. Mais ainda, em pesquisas, mesmo antes da definição de Eduardo como candidato, davam-na com 27% - isto foi em abril/14. Ou seja, Marina, desde o princípio, quando se começava a ajeitar o tabuleiro da sucessão, já era mais forte eleitoralmente do que Campos. Portanto, dúvida alguma se poderia ter se ela ocuparia a vaga que foi do falecido. Comentou-se que o PSB não veria com bons olhos a candidatura da Srª Silva por ela não ser, originalmente, historicamente, do partido, tendo só se filiado porque a 'Rede', partido por ela fundado, não ter conseguido estar formalizado a tempo de registro junto à Justiça Eleitoral. Pode ser que houvesse resistência, porém, ao compor o quadro de filiados, passou a ser pesebista e pronta para encarar o pleito de outubro próximo. Atualmente, Marina apanha 21% das intenções de voto, em empate técnico com Aécio Neves. Contudo, vale lembrar que a pesquisa foi executada sem que seu nome estivesse homologado, o que só aconteceu ontem, dia 21/8, e também no calor do luto, da comoção da morte de Eduardo, atingindo também quem não era/seria seu votante. Quanto à inclusão do deputado federal Beto Albuquerque, de inexpressiva aparição como candidato ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul, nota-se alguma repulsa, notadamente no eleitorado desse pago. Curiosamente, com a inserção do parlamentar gaúcho, surge um rechaço aumentado à chapa de Marina justamente pelos eleitores deste Estado. Mais interessante será a discussão de quem renderá a Beto na postulação ao Senado, já que, na coligação com o PMDB, a candidatura tocaria a Pedro Simon, porém este, a par de ter preanunciado aposentadoria, alegou proscrição médica à sua entrada na disputa. Assim, surgem nomes como o ex-Governador Rigotto, o ex-Prefeito de Porto Algre Fogaça e o ex-Deputado Federal Ibsen Pinheiro. Destarte, o panorama é de acompanhamento da definição do postulante à vaga, associando-se a Lasier Martins - o ponteiro na pesquisa - e Olívio Dutra, de má lembrança no comando do Palácio Piratini.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

(In) tempestável

Tempo de tempinho não é para mim.
Um temporal de ventos,
Aguaceiros,
Temporalmente existente.
É chega!
Basta de chove não molha e ceu hosco.
Que venha aos olhos o sol e o céu azul.
Finde de tarde como de hoje:
Sem qualquer nuvem.
Mente desanuviada,  marasmática...
Xô,  irascíveis! 
Tal qual tubérculos,
Me vem encurtando o respirar.
Do que preciso é puro ar
E a malemoliência da luz
Ocasional,
À curta ondulação da água azul.

Saraivando

Conversa,
Um diálogo.
No catálogo a grossura,
Chocha travessura.
Má educação? 
Acho que não.
A forma de reagir
De quem está acuado,
Esquivando-se;
A língua afiada com saraivada.
Pedras que rolam,
Em uma baixada se amontoam,
Entaipando pessoas,
Como que tijolando
Um altivo muro,
Forçando o aparte.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Pro forma

Pro forma.
Não fazendo concessões,
No desprezo pelo gosto alheio,
É Irrelevar a opinião de quem é perto.
"Eu sou assim,
Sempre fui assim,
Dessa maneira adiante serei"...
À Gabriela condiz,
Não a quem pretende fazer dupla,
Em parceria,
Em cumplicidade,
Em devoção.
Diferenças mil haverá,
Aqui e tantas acolá.
A compatibilização é o fundamento
E não a rudeza constante no trato;
Egoísmo e prepotência,
Avesso à condescedência.
Isso não é afeto,
Mas sim motivo para solidão.
Ou medo latente na união...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Que texto doido

Por vezes, tenho ideia de assunto para criar um 'post', no entanto, na hora de 'pôr no papel' o tema não rende aquilo que pensava. O início da escrita é tema a ser dissertado, mais uma ou outra ideia de enfoque e opinião a ser dada, o restante 'sai' à medida que vai fluindo a construção do texto. Justamente por isso que algum 'post' finalizado fica diferente do prepensado. Ou se esquece do 'projeto' de desenvolvimento, escapando, períodos todos, do nosso controle, digamos assim; é como se mudasse o rumo da conversa como o timoneiro que altera a rota do barco à análise da paisagem do mar a ser navegado. Ou deixasse a nave à deriva, esgueirando-se pelas correntes dominantes. Não raro, acontece exatamente isso, o 'gps' mental que guiaria a digitação de palavras desativa-se por conta própria. Mas isso não significa uma piora, senão que apenas sinaliza que ficou uma postagem distinta. É óbvio que continuo a ser eu o autor do texto; não é como se uma entidade espiritual 'baixasse' e tomasse conta da digitação. Nada disso. Ocorre, tão só, uma temperada ao sabor do acaso, tal qual uma corrida de táxi com aquele tipo de motorista que fica tagarelando o tempo todo e 'metendo pau' no candidato em que votaremos. É a imprevisibilidade que, quando quer, surge em nossas vidas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Novo muro de Berlim

Tijolos são alusivos à construção,
E construção é coisa boa;
Remetem ao bem,
Ao atingimento de uma vontade,
Um desejo positivo.
Eis a lógica.
Mas não, qual nada.
Quem quer,  por qualquer anormalidade existencial,
Lança mão dos tijolos para altear muro
E separar pessoas que tentam,
Empenhadamente,
Afinar-se e aparar arestas das mil diferenças.
Pois a murada acaba com tudo isso
E  , tal qual o de Berlim, separa o esquerdo do direito
E castra o direito de se ser,
Em conjunto,
Uno e ditoso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Perdoname. Perdonote.

Uma tese que defendo, depois de acontecimentos por mim vividos - e já há algum tempo - é que só pessoas com vinculação de bons sentimentos, com razaoável grau de intimidade até mesmo, podem brigar.
Aqueles que não se gostam, nem falo do gostar de casal, não podem bronquear. E não, porque a eventual existente relação entre eles acaba. Finda! Isso acontece as pessoas não pensam duas vezes nos motivos da briga, não sopesam o que fizeram de errado. 
E não cogitando de assumir seus erros, não se avalia e releva o mau jeito perpetrado pelo outro. Ou seja, o destrato é o que fica. Pois bem, então não fica carinho algum, podendo permanecer a relação de distinta natureza, como a profissional, por exemplo; porém, ainda assim, remanescerá de modo obtuso.
Já a quem é íntimo, perdoa-se em grande número das vezes em houve tropeço na civilidade relacional. Contudo, não sem que haja o devido pedido de desculpa que, por mais que soe como falso, restabelece a paz e o respeito entre pessoas que se querem bem.
Todavia, incorrer no equívoco repetidas vezes, fragiliza o relacionamento, ainda mais quando há respostas tortas e desamor com ira.
Desculpa-se aqui e ali, no entanto uma cicatriz fica. Mas nada como quando o pleito de desculpa aparece acompanhado de um beijinho.
Não hã quem resista, seja o desaforo que for. O problema é só ,  a assunção do erro vir com pedido de perdão de forna sincera e honesta...

O gênio e um sono para agora

Na obscuridade egocêntrica,
A noite que homemageia Marte,
Foi iluminada pelo achado 
Da cobiçada lâmpada de Alladim
E dela, sem salamim
Ou binbim,
O pedido foi de obsequioso sono?!
Acontece que o gênio,
Sabido e advinho como é,
Percebeu que o passear,
Uma voltinha que fosse,
No súper seria melhor.
O ótimo a quem jurava sono
Ou Almejada só dormir.
Poxa, o Zaffari bem ali.
Por que não se chegar?
O sono pode esperar.
E, quem sabe, os três pedidos de sono,
Foram trocados por perenes
E futuros,
Passeios sozinho?
Quem sabe, quem saberá...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Não é todo mundo que tem nome

A forma como chamamos as pessoas e como as pessoas nos chamam denota o grau de proximidade. Verdade de não é uma regra absoluta, porém dá sinais como  'é a coisa'.

Para a pessoa ser tratada pelo nome é preciso conhecer a pessoa. E aí há dois pilares de conhecimento: o profissional e o de amizade. Ou seja, tratamos pelo nome a quem ttabalhamos e a quem temos vinculação sentimental,  aqui conglobando amigos, parentes, cônjuges e etc. Não sabemos o nome, salvo em caso de que ocorra algo errado,  de um atendende no bar, por exemplo. Não existindo aproximação, inexistente razão para se referir nominalmente.

Os mais de perto nessa relação são os que nos dirigimos pelo apelido. Dos distantes nem sabemos o apelido, fazer o chamado assim muito menos,  a menos que se queira forçar, ou forjar,  uma proximidade. Colegas de trabalho, portanto,  não são aludidos  por suas alcunhas, a menos, logicamente, que se seja vinculado emocionalmente a que se denomina carinhosamente.
Sim, apelidar  é demontrar afeto e se tem afetividade por quem se gosta,  quer-se bem.

Agora,  vocês dêem-me licença que ali pagar à moça do caixa,  a quem não conheço e, evidentemente,  não sei o prenome. E se já li no crachá, eventualmente, esqueci,  pois é só alguém que me vende o que quero comprar. E,  dessa forma, vamos-nos bem.

A lua que esclarece

Faz-se muito, muitas das vezes, algo sem se pensar nos circundantes. Apenas se faz porque se quer; num momento, uma vontade. Lembremos que não basta ser, muitas das vezes tem de parecer ser. A forma de expressar-se, o fundamento, a explicação, surgem como peças de valor a contextualizar o simples e de fato almejado. Para tudo existe um porquê, aquele motivo que se sobressai como a claridade do luar, esgueirando-se no toporama da escuridão das incertezas e má interpretações. Calha explicar, Para que um mau sentido não vingue.

Robin

À raiz da morte de algum ente midiático há, não raro, o endeusamento do extinto e o aprofundamento, cansável, do mote letal. Com Robin Williams, decerto, vai ser assim. Ele será 'um dos melhores atores de toda a História', não que não se aluda à, humana, limitação de sua pessoa - aliás, a limitação profissional também poderá ser ventilada, mas só 'en passant' -, no entanto são as qualidades que se sobrepujarão, merecida ou imerecidamente. De regra, é uma adulação 'post mortem' excessiva e desmesurada. E tal se deve à adoração de mitos midiáticos. Por que quando um 'célebre da mídia' é visto pela rua postam-se pessoas a tirar foto? Ora, é a chance de ser-se retratado junto com o(a) fulaninho(a) de tal. E o quadro fica mais propenso a essa 'puxação de saco' do morto quando a 'causa mortis' é um evento tido como trágico como no caso em tela, em que o prefalado ator faleceu por conta de depressão e suicídio. Inegavelmente, é um panorama propício para um filme, talvez um drama biográfico; assim, o contexto já é explorado desde o descenso e delonga-se, delonga-se, delonga-se... Fato é que as pessoas, por uma ou outra razão, é triste, mas morrem. Com todos que tem a graça de estarem vivos acontecerá. Ninguém é melhor ou pior por ter aparecido na tevê/cinema ou fofocas de 'internet'. Claro, é desditoso 'partirem' e estarem sofrendo em vida. Mas isso é natural até e acontece bastante. Aproveitem e assistam, por aí, se acharem quem devem, a reprises de filmes dele, pois certamente haverá.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Shoppingzinho

Uma segunda,
Um shopping a ser passeado.
E só, desparceirado.
Problema? Claro que não.
Bastava franqueza;
Bem melhor.
"Vou dar um passeio,
Ver umas vitrines."
Catar não um envelope, 
Foi um pretexto.
Fica para amanhã!
Sabe o que cai bem?
Um lanchinho, também sozinho.
Que legal.
Nada mal!
Importante é o bordejo, ao que parece...

Inlido

Fiquei com livro empilhado. Empoeirou-se, intocado. Culpa minha, pensava; Lia-o um tanto e o engavetava, Num gesto indefectível de abandono. Condoía-me com seu desamparado apartamento, No repouso forçado em certa fileira, Remota, de livros rechaçados. A culpa por isso pensei, Sempre, sempre, Ser minha. Mas não! Há livros que não são para se ler, Ao menos não em sua completude. Só uns trechos, aqui e ali, Quiçá num visão maral Ou na serra baixo temporal. Cada pedaço tem seu momento, Que surge de natural oportuna leitura; Oportuna e momentosa, Bom que se diga. Naquele momento, ao sabor do acaso, Da sorte venturosa, É a vez de ler aquela partezinha, Acertada ocasionalmente. [Ufa! Alijei a culpa pela negligência do (não)lido.]

sábado, 9 de agosto de 2014

Tem dose certa

É preciso saber-se dosar.
O que abunda prejudica sim ;
Para uma outra situação,
Pode ser que não,
Mas no  'grosso' das vezes sim.
Até o elogiar de hábito e frequência
Traz malignas consequências.
'Se achar-se', excessivamente confiado,
Isso é mau.
Há que se expressar,
Gostar também é bom,
Entretanto, cautela-se no manifesto do amor,
Pois a dor de desleixo,
Do  'deixamento de lado',
Não vale o prazer do afago
No agradar-se o quem querido.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Mas que graça!

Mas que graça! A graça mora nas pessoas que pensam, No futuro de vida a dois, Na rotina de família também, No entanto, o plano é só seu; Não se enquadra, No tal projeto auspicioso, O gosto da cara-metade. A vontade exposta é a sua apenas. Como não entra o querer em comunhão, Em dupla, Na parceria? 'O grande programa é sentar para tomar uma Coca-Cola'... Ora, ora! E se o outro alguém gostar de beber Pepsi? E se preferir Londres à Paris? Mas que graça!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Ruminar mais

A convivência social, harmoniosa, implica em, não raro, embates pessoais. As pessoas pensam de forma diferente, tiveram criações, hábitos e valores familiares distintos, porém – e sobretudo - gostos que discrepam. São diferenças estilísticas, nuances no jeito de entender a vida e a levá-la que não se casam, não se coadunam. Isso tudo na relação meramente de convívio social, a qual é mais simples, posto que a vinculação humana é menor. Já no tocante à relação sentimental, engolem-se muitos sapos, é preciso que assim o seja. Toleram-se posições contrárias adotadas por quem se gosta. Suportam-se situações, que até nem são graves, são mais desagrados relacionados ao ‘modus vivendi’: uma ironia, uma resposta torta, um deslize na forma cordata de tratamento, uma ou outra ‘curtida’, um ‘compartilhamento’, o ato de seguir/manter amizade – mesmo que virtual – com essa ou aquela pessoa, a apreciação de tipos cinematográfico e musical antagônicos ao seu, a reverência a personalidades midiáticas e etc. Enfim, é a permanente tolerância que faz com que tais diferenças sejam minimizadas, no entanto, talvez, jamais esquecidas. Ocorre que, ao acúmulo de eventos que desagradam, faz-nos parar e pensar. Quem sabe providenciar mais água para facilitar a deglutição de tantos sapos, sapões, juntados em nosso prato da vivência. O fato é que maior tempo é demandado e, tal qual um boi que pasta olhando a infinitude do horizonte celeste, é mister mastigar, ruminar o contexto interpessoal em que se está inserido, voltar a mascar. Daí, é só esperar o anoitecer e o raiar de um novo dia, torcendo para não haver indigestão.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Momento errado

Só, somente só.
É quando se espera algo
E se recebe algo menos.
É quando se espera mais
E se dá menos.
Não é nem voluntariamente.
As criações são distintas,
Os padrões de gostos,
De certo e errado.
O correto aqui, não o é ali.
Um ato normal para um,
É não para o outro.
O que era para dar certo não dá.
Nunca?
Aliás, qual é o limite do sempre,
Do nunca?

Abuse da delicadeza

É chato.
Chato se gostar 
E desgostar ao mesmo tempo,
As vezes em idêntica intensidade.
A pessoa é uma só,
Mas como pode atrair sentimentos antagônicos assim?
Por momentos, talvez na maior fração,
Os desagrados ficam presos em remotas gavetas,
Em escaninhos perdidos da alma.
Porém, ao acúmulo de tantos maus jeitos,
Sucessivos equívocos de conduta,
De contraconduta e indelicadezas,
Onde foi parar o querer-bem?
Só os defeitos retêm-se na peneira do tempo a decorrer?
O sonho de futuro fica sem alento
Não é futuro, é sofrimento.
O que salva é a assunção do erro,
O pedido de desculpa,
A contenção da indelicadeza.

A patada tigrada

Um tigre do zoológico de Cascavel/PR atacou um menino de onze anos. Essa é a notícia que a todos comoveu. Mas como aconteceu isso? Passeavam no zoológico pai e dois filhos: um de colo e o guri que restou acidentado. O pai, ao relato das testemunhas – e das muitas imagens amadoras – atinha-se ao pequeno, tanto que o de onze ficou ‘solto’, interagindo com um leão e, finalmente, com o tigre que o atingiria. Errou o pai, é o mínimo que se pode dizer. Fraquejou ao permitir que o maior, que é residente da cidade – o genitor e o pequeno moram em São Paulo e tinham ido de visita – se afastasse de si e, como se viu, acabasse interagindo com os felinos. Não há, em condições normais de o pai responsável perder filho pequeno de vista, mais ainda em se tratando de incursão a zoológico e proximidade a animais ferozes. O dever de cuidado do pai era pleno naquelas condições; não há o que se falar sobre a inexistência de vigilância do estabelecimento. Querm vai visitar um penhasco não deixa filho/criança chegar perto do perau. E vigilância até havia, em forma de ronda. Lamentável, mas o papaizinho vai pagar por esse brutal deslize para o resto de sua vida, recordando-o toda vez que olhar o rebento maneta que lhe sobrou.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Até debaixo d' água

Deveria haver como escrever
Embaixo d'água.
E mais, enquanto se nada!
Nadar e escrever,
Que maravilha.
Quem sabe um celular
À prova d'água,
Um aparelho digitado
Por sinapses cerebrais
Com textos estupendos
A serem postados
Num blog como este
Nascidos das prolixas
Pensantes braçadas!

Como se fossem regalos

Que que eu tenho?
Pensamentos, muitos deles.
E no pensar introspectamos,
Mergulha-se no poço de água parada.
Abrem-se gavetas, pequenas,
Em que são armazenadas,  não sei porquê até,
Os desgostos.
Tudo o que se obtém
Observando alguém
Que se importe.
Ou mesmo que se recebe
De bom e de ruim.
No último caso, dois são os problemas: se sente o ruim que nos veio
E se detecta que as pessoas são falhas.
E nao adianta engavetar, relevar,
Por se gostar e considerar,
DEssa ou daquela pessoa,
Pois num belo fim de tarde,
À visão do sol que se esconde
Atrás das árvores e se reflete
No azul piscinado,
Como o saco de presentes do papai Noel numa noite de Natal,
As angústias nos são jogadas no colo.
Nos resta abrir, uma por uma  ,
A mesma obrigação da criança
No chão,
Desembrulhando ansiosamente
O que recebeu na Noite Boa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

É aterrorizante sim


A única certeza da vida é a própria vida; a morte é a negação da vida. Pois bem, afora o que é certo, o mais de todo o viver é incerto, ou seja, não se sabe absolutamente nada de como se viverá. E nem o tanto que de vida se terá à disposição. Tal circunstância até impacienta as pessoas, mas não causa o tamanho furor que a ideia de passar 'dessa para melhor' provoca. Aliás, será "dessa para melhor" mesmo? Ninguém sabe e, justamente, por isso, na minha opinião, o temor da morte é senso comum. Alguém voltou para contar o que existe após seu coração parar de bater? Se sim, só se foi em sessão espírita que eu saiba. Realmente, é bastante natural recear o imprevisto, aquilo que, mais cedo ou mais tardar, tem-se de encarar - ainda que de corpo frio e de olhos cerrados. O que temos é a falta de controle no futuro, o não poder planejar, ter-se noção do que pode suceder. É como quem fica desempregado, com compromissos pecuniários pela frente, e não sabe como enfrentá-los. O medo vem atrelado ao desconhecido, ao inédito, e derradeiro, infortúnio e não é só uma questão cultural. Ocorre um evento do qual não se há como recorrer, aceitá-lo é impossível, pois não mais se respira. É-se compulsoriamente alijado da vida, rechaçado inexoravelmente de tudo que se conquistou, afetiva e patrimonialmente para dizer o mínimo. Vai-se a árvore, ficam os frutos, com ela tombam todo o empenho e envolvimento pessoal, a afã de viver e vivenciar experiências. Tudo se esvai, esfumaça-se com a morte; o que se é e se tem se finda. As pessoas, ou a alma delas, vão aonde? Será que vão a algum lugar? Será que ficam, apenas, decompostas junto o descenso da carne? Pode ser que alguém se embeveça com o fascínio místico que o passamento pode trazer? Pode, porém duvido muito. O feitiço do inesperado a ocorrer 'post mortem' é momentâneo, a curiosidade no que de bom pode advir, já a perturbação que o termo vital final nos atinge é perene e inarredável.