segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Oizinho
O ato de cumprimentar pessoas conhecidas, as não tão próximas, senão as apenas ditas 'conhecidas', requer cuidado; é uma ação nervosa, tensão. Ou seja, não é uma atitude espontânea como se pensaria.
Falo de gente com a qual não se mantém contato natural de convivência, e é, por exemplo, alguém que só se conheça de dar um 'oi' qualquer numa fila de buffet ou de um elevador. Não se tem maiores vínculos, não se sabe nome - o que no meu caso, diga-se de passagem, não é muito difícil de ocorrer -, não se sabe nem onde trabalha, refiro-me ao setor exato do mesmo prédio em que eu laboro.
Pois bem, o 'oi' quando se encontra, solitariamente, essa pessoa é um, tem até um ar de naturalidade, esboçando-se, de repente, um sorriso. Já não é o mesmo 'oi' quando se depara com a pessoa com mais outras junto. Ah, aí que está a questão. Não é a qualquer um que se cria a espontaneidade de cumprimentar quando está num 'bolo de pessoas', pior fica se essas pessoas do 'bolo' forem desconhecidas igualmente.
Há um natural tolhimento, em hipótese alguma sai um expansivo cumprimento, no máximo uma saudação encabulada. Ou pior ainda, um olhar sem palavras, indeciso se virará um 'oizinho' ou não.
Esse cruzamento de olhares, mudo, esgueirado, pode significar um constrangimento mútuo, sinalizando que tu e o(a) semi-amigo(a) se viram, porém, por uma razão aleatória de vida, acharam por bem não se falarem.
As vezes, por não se ter intimidade, prefere-se não se falar, fazendo de conta que não se viu. Isso acontece mais por vergonha de interromper o(a) conhecido(a) no grupo em que se está; ora, tu não és amigo dele(a), os outros é que são, então 'fica na tua' e não atrapalha.
O complicado, nessa situação, é não parecer arrogante. É só vergonha. E se se cumprimenta o(a) outro(a) e ele(a) faz que não vê? Isso, cá entre nós, acontece muito. Bom aí nós que passamos a criar teses conspiratórias quanto ao não cumprimento, o cumprimento não respondido.
Em todo o caso, um olhar amistoso, com sorriso ou não, sempre cai bem e não se fica com fama de antipático pelo menos.
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