É muito simples, desconhece-se a pessoa. Quem ela é? Ainda, nas primeiras semanas, ignora-se quem seja. Ou mais, é-se autoadvertido que não pode ser somente um alguém que te passa elogiando, que tem uma permanência, talvez pelo deslumbramento ou pela força de um sentimento afetivo muito bom correspondido, de boas e lindas palavras a ti, num discurso de frases galantes que pode ser muito fiel ao momento, mas que se sente fazer parte apenas daquele período inicial. Tu sabes que não és tão maravilhoso como esse ser tão atraente te diz.
Não que se aguarde um depois ruim, no entanto não é tudo tão maravilhoso como nesse começo encantado de relacionamento. Essa magia é ótima, embora se pressinta, ainda que na inexperiência relacional, que uma hora vai acabar; que se torne mais espinhoso, todavia que siga bom.
Aí é que são elas. A partir de então, principia o conhecimento legítimo, autêntico, de verdade. É quando se toma pé de quem é efetivamente quem estamos interligados; não que o feitiço prévio não faça parte, entretanto é temporário e não definitivo.
No transcurso dos meses é que se vai maturando a relação, queda-se, ou não, gostando de outrem. Isso leva tempo, até que se criem hábitos e gosto no perene contato, na alegria de falar coisas, simples ou profundas, a qualquer hora e/ou várias vezes durante o dia. Nesse viés, é sintomática e muito expressiva a taquicardia no recebimento de mensagem no telefone celular e a ansiedade em descobrir o que foi remetido/postado por quem se quer muito.
Contudo, com esse aprofundamento do relacionamento, também pode vir o afundamento. Quando o retrato do panorama comum passa a não ser mais tão colorido como antes. Quando a tensão preponderantemente deixa de ser o 'friozinho na barriga' e torna-se mais um motivo para uma irritação qualquer, outro estresse no já conturbado contato a dois.
O final, assim, também é vagaroso se não se extingue a amorosidade mútua, senão que se nota que o desgosto toma corpo, formando uma barreira imponente ao simples sentimento bom.
É como se morasse num deserto próximo a um oásis que sempre se foi junto, mas que, de um tempo em diante, foi-se erguendo, involuntariamente, um muro, impendido-te de chegar lá, ao menos não sem que se tenha de aventurar e, a caro custo, atravessar a murada alta. Uma hora a gente se cansa de tanto percalço e cuidado para se estar 'de bem'.
Ah, mas demanda tempo, não é só excluir um aplicativo cerebral e pronto. Necessário, no mínimo, reformatar toda a máquina...

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