quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O BEM como um ato autêntico

Hoje começa mais um ano judaico, o de número 5775. A 'virada de ano' é chamada de 'Rosh Hashaná' e se celebra com os judeus nas sinagogas, os quais chegam ao entardecer e participam de rezas, jantares festivos e comem maçã com mel; findam as comemorações dez dias depois, no Yom Kipur - Dia do Perdão -, em que os seguidores da religião devem fazer jejum absoluto por 24 horas. 

Os islâmicos, a seu turno, também possuem regras rígidas de período de oração e, especialmente, de jejum, durante um mês, no Ramadã, entre o ocaso e a alvorada. 

 Exatamente, à raiz da rigidez exigida à prática religiosa, é que me oponho. A religiosidade, dentre suas características, está a devoção ao deus, seja ele quem for e que nome for-lhe dado, e a expressão de afeto, consideração e solicitude ao ser humano próximo. 

 Pois bem, os atos fraternais e de temência hão de ser espontâneos. A caridade também. Que valor pode ter a adoração, com rezas em eventos previamente demarcados, se a pessoa não estiver intimamente envolvida, se não fizer aquilo por vontade própria? O sujeito faz porque é um trajeto necessário e compulsório se quiser alcançar o melhor caminho 'post mortem'. Ele acaba fazendo por recear ser direcionado ao pior fim quando se for deste mundo. É o medo do 'horror das trevas' e não uma ação livre de bondade e crença no Ser Superior.

 Então, o que me agrada no Catolicismo é não haver essa obrigação inexorável a prática de determinados atos - nem mesmo ao dogma maior de não comer carne na sexta-feira-santa; o comensal é liberado do respeito, uma vez que seja a forma de se alimentar naquele dia e não tenha outra opção de comida. E quem mais comer, mesmo num ato de certa revolta à norma proibitiva, acabará, se posteriormente arrependido, perdoado. 

 Ou seja, a base de tudo é a análise se a criatura humana de Deus é boa e tem os atos de bondade, para com Ele e com o próximo (e a natureza) no seu âmago. Se realizar livremente o bem, independentemente de pressão, aí 'tá valendo', pois é o autêntico bem.

 Esse é o correto. O bom é positivamente bom se assim o for interiormente e, por consequência, acabar-se conduzindo e postando-se ao longo de sua vida. 

 A propósito, no ensinamento bíblico - e ultimamente realçado em missas das quais participei -, é asseverado que o comportamento da pessoa mais praticante, mais atuante consoante a 'cartilha' católica, não é filho de Deus com maior valor e melhor de quem não age à risca todas as regrinhas desse 'manual do católico', não tendo necessariamente o comportamento modelar/padrão frente à religião.

 Anda religiosamente bem quem quer fulcralmente o bem e não quem é quase que coagido a rezar e seguir o roteiro da boa prática religiosa, submisso ao medo de punições em seu porvir.

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