segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Limonada de limões sicilianos

Terminar e odiar é mais fácil.
 Morre o relacionamento afetivo/amoroso,
 nasce o relacionamento afetivo/odioso. 
É bem mais fácil, tudo de bom se deixa, 
ficam para trás numa remota existência 
sepultada num cemitério de campanha 
improvável e sem identificação do jazido. 
Ou vira um amor cremado, 
com cinzas espargidas, 
no Dilúvio,numa corrida, 
de esquina a esquina, 
em uma quadra qualquer da Av. Ipiranga. 
Piora-se quando o sentimento amargo, 
de acabamento, é a frustração. 
O malogro de não ter podido vencer, 
perpassando os entraves múltiplos,
 pois restaram em adoentar, 
letalmente, a união. 
Foi como em um jardim botânico, 
montado na falda de um vulcão que, 
sendo pré-eruptivo, 
 elimina uma fumaça grossa;
 a fuligem acinzentando
 o colorido das flores. 
A acidez virando amizade é o que mais convém. 
É como o açúcar sendo posto,
 às colheradas, 
pequenas, mas firmes, 
nessa limonada epilogar feita com limões silicianos.

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