A única certeza da vida é a própria vida; a morte é a negação da vida. Pois bem, afora o que é certo, o mais de todo o viver é incerto, ou seja, não se sabe absolutamente nada de
como se viverá. E nem o tanto que de vida se terá à disposição. Tal circunstância até impacienta as pessoas, mas não causa o tamanho furor que a ideia de passar 'dessa para melhor' provoca.
Aliás, será "dessa para melhor" mesmo? Ninguém sabe e, justamente, por isso, na minha opinião, o temor da morte é senso comum.
Alguém voltou para contar o que existe após seu coração parar de bater? Se sim, só se foi em sessão espírita que eu saiba.
Realmente, é bastante natural recear o imprevisto, aquilo que, mais cedo ou mais tardar, tem-se de encarar - ainda que de corpo frio e de olhos cerrados.
O que temos é a falta de controle no futuro, o não poder planejar, ter-se noção do que pode suceder. É como quem fica desempregado, com compromissos pecuniários pela frente, e não sabe como enfrentá-los.
O medo vem atrelado ao desconhecido, ao inédito, e derradeiro, infortúnio e não é só uma questão cultural. Ocorre um evento do qual não se há como recorrer, aceitá-lo é impossível, pois não mais se respira. É-se compulsoriamente alijado da vida, rechaçado inexoravelmente de tudo que se conquistou, afetiva e patrimonialmente para dizer o mínimo.
Vai-se a árvore, ficam os frutos, com ela tombam todo o empenho e envolvimento pessoal, a afã de viver e vivenciar experiências.
Tudo se esvai, esfumaça-se com a morte; o que se é e se tem se finda. As pessoas, ou a alma delas, vão aonde? Será que vão a algum lugar? Será que ficam, apenas, decompostas junto o descenso da carne?
Pode ser que alguém se embeveça com o fascínio místico que o passamento pode trazer? Pode, porém duvido muito. O feitiço do inesperado a ocorrer 'post mortem' é momentâneo, a curiosidade no que de bom pode advir, já a perturbação que o termo vital final nos atinge é perene e inarredável.
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