segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Inlido

Fiquei com livro empilhado. Empoeirou-se, intocado. Culpa minha, pensava; Lia-o um tanto e o engavetava, Num gesto indefectível de abandono. Condoía-me com seu desamparado apartamento, No repouso forçado em certa fileira, Remota, de livros rechaçados. A culpa por isso pensei, Sempre, sempre, Ser minha. Mas não! Há livros que não são para se ler, Ao menos não em sua completude. Só uns trechos, aqui e ali, Quiçá num visão maral Ou na serra baixo temporal. Cada pedaço tem seu momento, Que surge de natural oportuna leitura; Oportuna e momentosa, Bom que se diga. Naquele momento, ao sabor do acaso, Da sorte venturosa, É a vez de ler aquela partezinha, Acertada ocasionalmente. [Ufa! Alijei a culpa pela negligência do (não)lido.]

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