Coitada, depois fiquei com pena. Devia ser o primeiro dia, primeiros instantes não digo, haja vista o horário cercano de fechamento do súper, mas a moça, decerto, estava debutando no serviço.
Setor de fiambres, pedi-lhe algo como duzentos gramas de presunto gordo, isso é certo: presunto gordo. Não sei se não ouviu, distraída que sempre são em conversas pessoais com as colegas de ofício. Mas o fato é que pôs xis gramas de peito de peru.
Vi colocando o fiambre errado, porém a essa altura já não sabia mais se era a srta que me atendera e/ou se não estava servindo a alguém antes de mim. Também me desconcentrei por certo momento.
Eis que me questionou: 150? Falei-lhe que queria presunto gordo. Ela insistiu: quanto?, sem que trocasse o peru pelo presunto.
Ergui a voz e disse-lhe em tom 'de soletrando': pre-sun-to gor-do, já com semblante semicerrado.
Ela trocou, pesou o tal presunto gordo, corretamente, seguinto a meus demais pleitos, já todos acertando a pesagem e o produto ao pedido.
Observei-a melhor nesse interim, reparando sua imperícia de principiante e, ao final, agradeci sorrindo, com remorso da careta que esbocei.
Quase saindo, perguntou-me: moço, atendi o senhor muito mal?
Assegurei-lhe que não, sem justificar muito que houvera apenas um pequeno equívoco tão somente.
Fui firme ao responder negativamente, tentando confortar-lhe a insegurança e minimizando seu errinho. O seu e o meu, pois com muita pena depois fiquei, censurando meu limiar de grosseria.
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