terça-feira, 17 de novembro de 2015

Moço, te atendi muito mal?

Coitada, depois fiquei com pena. Devia ser o primeiro dia, primeiros instantes não digo, haja vista o horário cercano de fechamento do súper, mas a moça, decerto, estava debutando no serviço.

Setor de fiambres, pedi-lhe algo como duzentos gramas de presunto gordo,  isso é certo: presunto gordo. Não sei se não ouviu,  distraída que sempre são em conversas pessoais com as colegas de ofício. Mas o fato é que pôs xis gramas de peito de peru.

Vi colocando o fiambre errado, porém a essa altura já não sabia mais se era a srta que me atendera e/ou se não estava servindo a alguém antes de mim. Também me desconcentrei por certo momento.

Eis que me questionou: 150? Falei-lhe que queria presunto gordo. Ela insistiu: quanto?, sem que trocasse o peru pelo presunto.

Ergui a voz e disse-lhe em tom 'de soletrando': pre-sun-to gor-do, já com semblante semicerrado.
Ela trocou,  pesou o tal presunto gordo, corretamente, seguinto a meus demais pleitos, já todos acertando a pesagem e o produto ao pedido.

Observei-a melhor nesse interim,  reparando sua imperícia de principiante e, ao final, agradeci sorrindo,  com remorso da careta que esbocei.

Quase saindo,  perguntou-me: moço,  atendi o senhor muito mal?
Assegurei-lhe que não, sem justificar muito que houvera apenas um pequeno equívoco tão somente.

Fui firme ao responder negativamente, tentando confortar-lhe a insegurança e minimizando seu errinho.  O seu e o meu, pois com muita pena depois fiquei, censurando meu limiar de grosseria. 

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