Quando a frase de que 'vão desligar os aparelhos' do fulano, que é um dos nossos, alguém que temos ou tivemos relação parental, de amizade, de conhecimento, tornam-se palavras que soam mais forte, calam fundo.
É uma ideia de fracasso, de nada mais apto a ser feito, inútil. De fim de postergação do que irá acontecer logo ali, se mantida a aparelhagem funcionando.
Mas também o temor, certa culpa por ter-se acumpliciado com a decisão, ainda que não tendo participado em sua confabulação.
Poxa, estamos vendo que alguém se vai desse mundo por ato de alguém que apagará os aparelhos e vamos ficar impassíveis, vendo, tão somente, isso ocorrer.
Esse sentido de autopunição existe, mesmo que não devamos ser sancionados. Vamos nos reprimir por quê? Ora, sequer eticamente a determinação de manter um pessoa viva meramente por seu coração estar batendo é discutível.
É alguém que jaz num leito de morte e que os circundantes somente aguardam, morbidamente, o desate. Não haveria uma reprovação moral por essa postura?
Voltamos à antiga discussão que alcança a eutanásia/ortotanásia, enfim, a possibilidade da 'boa morte', de abreviar o sofrimento de quem está a um passo do fim de sua existência terrena.
Porém, uma conclusão se pode ter: é inquietante vivenciar-se um 'desligarão hoje os aparelhos'; não se convive incolumemente com essa sentença. E que se vá em paz.

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