terça-feira, 8 de abril de 2014

A velha problemática da inércia


No presente tempo, temos acompanhado algumas 'casualidades' trágicas ocorrendo no transporte coletivo de passageiros em Porto Alegre. 
São mortes e atropelamentos em profusão; relatos de excesso de velocidade, de arranques inesperados nas paradas, de travadas violentas. À raiz dessa forma inábil de direção, derivam quedas dos transportados, atropelamentos, com feridos e morte até, e demais sorte de infortúnios.
Além da 'coincidência' de duas ciclistas abalroadas,  e com óbito no mesmo dia, tomei ciência da caída de uma senhora idosa por desgraça de uma freada brusca, no momento em que, já de pé, aproximava-se de sua descida. O motorista afundou o pé no freio e a idosa 'voou' longe fraturando vértebras. O pior é que o condutor não tinha intenção de prestar o devido atendimento de urgência/emergência - segundo o dicionário Michaelis há sinonímia entre as palavras - à senhora, que somente foi assistida ante o flagrante de gravidade e a pressão dos circunstantes, e porque um passageiro se dispôs a acompanha-la no atendimento médico.
  O relato de altas velocidades imprimidas é corrente e, consequentemente, a grosseria na condução e nas travadas. Isso é inércia, a qual se estuda no colégio na matéria de Física. O exemplo clássico é exatamente o de dentro do ônibus, em que as pessoas, apesar de paradas, tem seus corpos movimentados indefectivelmente pela ação de uma força que advém das freadas/partidas violentas (http://www.colegioweb.com.br/trabalhos-escolares/fisica/leis-de-newton-e-suas-aplicacoes/conceito-de-inercia.html).
A alegação é de 'pressa'. Porém, vamos adiante na análise. Pressa sempre houve frente ao parco número de ônibus em algumas rotas, notadamente as mais distantes do centro: as linhas que se dirigem à zona sul da capital por exemplo. Entretanto, o ânimo laboral dos motoristas está acirrado. Não se ignoram os recentes movimentos paredistas, intensos, e que se vem refletindo nas jornadas de trabalho, com o descontentamento da classe.
A greve é direito do trabalhador, tentar melhores ganhos e condições de trabalho. Mas tal indignação não pode-se refletir na maneira brusca de operar os coletivos, repletos de pessoas 'inocentes' e que em  nada tem a ver com o 'mau tempo' na relação de trabalho entre empregados e os proprietários de empresas de ônibus.
Má-vontade e falta de desvelo não é possível que continuem. A direção veicular é coisa muito séria e o Poder Concedente/Município de Porto Alegre, com outras autoridades no assunto, devem tomar uma atitude, antes que o Judiciário esteja repleto de causas indenizatórias e famílias enlutadas ao desaparecimento de um querido familiar.

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