
Há pessoas que
não buscam argumentar. Outras inadmitem ter suas convicções contrariados. E,
finalmente, algumas não aceitam contrapontos a seus pensamentos e nem se
empenham em controverter pontos de vista, numa discussão adulta e cortês de
ideias, tão somente.
As hipóteses de (não) enfrentamentos dialógicos preassinalados
traduzem a tática defensiva de quem, não aceitando se expor e denodadamente
assumir a posição que têm, acabam por rotular, com clichês, a opinião
'adversária'.
Ou seja, não há aprofundamento em sua 'tese', porém há o
atingimento da 'tese' de seu interlocutor, resumindo-a com frases como 'teu
pensamento é preconceituoso'. É bastante cômodo para quem age assim.
Vamos exemplificar para entendermos melhor. O 'funk' e seus
'bailes' possuem raiz na classe social mais rasa, da grande base da pirâmide das
classes sociais. São ambientes, portanto, que permitem a frequência com
vestimenta simples: alguém de regata e de havaianas é muito bem-vindo e ninguém
vai ficar olhando atravessado como sendo indumentária fora do lugar.
Da mesma maneira, as músicas acompanham esse despojamento, não se
prendem à formalidade musical, assim como as letras caricaturam a vida simples
e de amarga violência, contextualizando o ‘modus vivendi’ dali; não raro, também
fazem apologia à libertinagem sexual, vide a 'canção' Quero te dar da momentosa
Valesca Popozuda.
Ninguém em sã consciência vai emprestar conceito de excelência a
esse tipo de música. E mais, é bem possível que se critique e se capitule como
propagandista da depravação sexual. É uma análise para lá de coerente e
abalizada. Sabemos que se sucedem devassidões nos ‘bailes’. Esse é um ponto.
Algo diferente, é compreender como fenômeno sociológico e que
congrega, para o bem ou para o mal, muita gente, pessoas das quais, também é
lícito pensar, não necessariamente têm um quê de promíscuas e que só têm por
chamariz o 'verso dançante' que a moça canta. O gosto pelo ‘funk’ resume-se à
eventual graça na rima piegas d’algum verso.
A verdade é essa, pode-se censurar 'funk', pois há bastante base
para tanto. Ah, e sem que se seja depreciado como preconceituoso. No entanto,
nada se impede que o refrãozinho seja cantarolado por aí. Vai do bom-senso de
cada um democraticamente.
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