terça-feira, 15 de abril de 2014

Regata e Havaianas


Há pessoas que não buscam argumentar. Outras inadmitem ter suas convicções contrariados. E, finalmente, algumas não aceitam contrapontos a seus pensamentos e nem se empenham em controverter pontos de vista, numa discussão adulta e cortês de ideias, tão somente.

As hipóteses de (não) enfrentamentos dialógicos preassinalados traduzem a tática defensiva de quem, não aceitando se expor e denodadamente assumir a posição que têm,  acabam por rotular, com clichês, a opinião 'adversária'.

Ou seja, não há aprofundamento em sua 'tese', porém há o atingimento da 'tese' de seu interlocutor, resumindo-a com frases como 'teu pensamento é preconceituoso'.  É bastante cômodo para quem age assim.

Vamos exemplificar para entendermos melhor. O 'funk' e seus 'bailes' possuem raiz na classe social mais rasa, da grande base da pirâmide das classes sociais. São ambientes, portanto, que permitem a frequência com vestimenta simples: alguém de regata e de havaianas é muito bem-vindo e ninguém vai ficar olhando atravessado como sendo indumentária fora do lugar.

Da mesma maneira, as músicas acompanham esse despojamento, não se prendem à formalidade musical, assim como as letras caricaturam a vida simples e de amarga violência, contextualizando o ‘modus vivendi’ dali; não raro, também fazem apologia à libertinagem sexual, vide a 'canção' Quero te dar da momentosa Valesca Popozuda.

Ninguém em sã consciência vai emprestar conceito de excelência a esse tipo de música. E mais, é bem possível que se critique e se capitule como propagandista da depravação sexual. É uma análise para lá de coerente e abalizada. Sabemos que se sucedem devassidões nos ‘bailes’. Esse é um ponto.

Algo diferente, é compreender como fenômeno sociológico e que congrega, para o bem ou para o mal, muita gente, pessoas das quais, também é lícito pensar, não necessariamente têm um quê de promíscuas e que só têm por chamariz o 'verso dançante' que a moça canta. O gosto pelo ‘funk’ resume-se à eventual graça na rima piegas d’algum verso.


A verdade é essa, pode-se censurar 'funk', pois há bastante base para tanto. Ah, e sem que se seja depreciado como preconceituoso. No entanto, nada se impede que o refrãozinho seja cantarolado por aí. Vai do bom-senso de cada um democraticamente.

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