Porto Alegre foi atingida por
mais uma lei dotada dos ares malévolos da ineficácia. Positivamente, quem puser
lixo em local que não seja uma lixeira, tem a possibilidade de ser sancionado com
multa; será obrigado a colocar a mão no bolso e dele retirar numerário de, no
mínimo, R$ 263,82 e, no máximo, R$ 4.222,21. Tudo muito lindo, muito louvável.
No entanto, como se operará a punição? Aí que está o problema - problemas são
'habitués' das normas brasileiras.
A punição somente tem vazão quando o infrator foi abordado em flagrante,
obviamente, e quando devidamente identificado. E como ninguém anda de crachá
pelas ruas e nem há agente policial suficiente e, muito menos, estão à serviço
exclusivo do controle das pessoas que jogam sujeira ao solo, atrevo-me a dizer
que pouquíssima efetividade há de ter essa lei.
Não se está agourando nada e nem eu quero cidade suja, bem ao revés.
Porém, a questão é a falta de consciência ambiental de alguns, somada à falta de
educação de outros tantos mais. Tem um tipo de gente que abre o vidro ao parar
numa sinaleira e joga-o pela janela; voa a lata de refrigerante que bebeu instantes
antes. O seu veículo fica limpo e é azar da via pública que se emporcalha com essa
sua atitude.
É
o (comum) imaginário brasileiro de querer resolver os temas danosos à sociedade
através do ataque à consequência, quando, bem melhor e efetivo, seria atingir o
mau hábito da (in)consciência do 'sujador'. É o freio moral que nos impede das
atitudes indevidas, o resto é 'balela' e 'papo furado'. Se esse alguém não tiver a efetiva noção de que não 'pode' arremessar algo ao vento, tal conduta sua não será reprimida.
A educação nossa de cada dia, por sinal, vai de mal a pior. Igualmente,
o incremento do número de lixeiras ajudaria muito, haja vista que é diminuto o
número de depositários de lixo em Porto Alegre. Existem pessoas que até poriam
lixo na lixeira - atitude correta -, mas, à escassez delas, atiram ao vento e segue a vida.
Lamentável, no entanto é o plúmbeo contexto que se constata.
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