segunda-feira, 7 de abril de 2014

Não cuspa seu chiclé



        Porto Alegre foi atingida por mais uma lei dotada dos ares malévolos da ineficácia. Positivamente, quem puser lixo em local que não seja uma lixeira, tem a possibilidade de ser sancionado com multa; será obrigado a colocar a mão no bolso e dele retirar numerário de, no mínimo, R$ 263,82 e, no máximo, R$ 4.222,21. Tudo muito lindo, muito louvável. No entanto, como se operará a punição? Aí que está o problema - problemas são 'habitués' das normas brasileiras. 

     A punição somente tem vazão quando o infrator foi abordado em flagrante, obviamente, e quando devidamente identificado. E como ninguém anda de crachá pelas ruas e nem há agente policial suficiente e, muito menos, estão à serviço exclusivo do controle das pessoas que jogam sujeira ao solo, atrevo-me a dizer que pouquíssima efetividade há de ter essa lei.

        Não se está agourando nada e nem eu quero cidade suja, bem ao revés. Porém, a questão é a falta de consciência ambiental de alguns, somada à falta de educação de outros tantos mais. Tem um tipo de gente que abre o vidro ao parar numa sinaleira e joga-o pela janela; voa a lata de refrigerante que bebeu instantes antes. O seu veículo fica limpo e é azar da via pública que se emporcalha com essa sua atitude.

       É o (comum) imaginário brasileiro de querer resolver os temas danosos à sociedade através do ataque à consequência, quando, bem melhor e efetivo, seria atingir o mau hábito da (in)consciência do 'sujador'. É o freio moral que nos impede das atitudes indevidas, o resto é 'balela' e 'papo furado'. Se esse alguém não tiver a efetiva noção de que não 'pode' arremessar algo ao vento, tal conduta sua não será reprimida.

      A educação nossa de cada dia, por sinal, vai de mal a pior. Igualmente, o incremento do número de lixeiras ajudaria muito, haja vista que é diminuto o número de depositários de lixo em Porto Alegre. Existem pessoas que até poriam lixo na lixeira - atitude correta -, mas, à escassez delas, atiram ao vento e segue a vida. Lamentável, no entanto é o plúmbeo contexto que se constata.

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