quinta-feira, 3 de abril de 2014

Língua travada na insensibilidade

       

        Respostas existem para serem contestadas, respondidas. Funcionam como a defrontação a uma víbora em meio a um campo verdinho: alguma coisa tem que ser feita,  ou se mata a cobra ou se foge correndo o mais que for possível. 

           Perguntas são assim,  ainda mais se vierem de pessoas tidas como proximas. O fingimento de que nada foi ouvido é como camuflar a caída do avião malaio. Não se engole tamanho disparate.

          Seja na igreja, no velório,  no motel,  dúvida não pode perdurar.  Se descortina a verdade e se prossegue a vida.

          A falta de ressonância é a ausência de consideração e de interesse no bem-estar alheio. Um egoísmo velado e autoprotetivo,  eis que a verdade escamoteada é mais tranquilizadora do que a acidez respondida decentemente.

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