segunda-feira, 14 de abril de 2014

Malévolo da Avenida Geraldo Gonçalves Cruz


                 
Tomando conhecimento da notícia de que três provectas senhoras foram assaltadas, atingidas física e psicologicamente, em Porto Alegre, fez-me recordar dos casos em que pessoas próximas são as responsáveis por agressão. Quem mais teria de proteger, incumbida moral ou laboralmente, resta ser o pior agressor.

 No caso das senhoras, com 92, 86 e 69 anos, foi a cuidadora quem industriou um assalto conjuntamente com o namorado, não sem antes simular que também era vítima. Não era vítima; era a vilã. O infrator somente foi descoberto por ter deixado cair um documento que o identificava. Os policiais chegaram à casa dele e ele confessou o crime.

Além do roubo, houve sublinhada agressão psicológica, na medida das ameaças de desligamento de aparelho ao qual uma das senhoras é ligada por motivo de doença. O contexto foi recrudescido pela maldade perpetrada.

E levaram o que da casa? Uns trocados e duas televisões, certamente a maior fonte de distração das velhinhas, através da qual, decerto, assistiam novela, telejornais, quiçá um ou outro filme água-com-açúcar, dum romance pueril. Puseram a mão em dinheiro também, inclusive carregando a mais moça para saque em terminal eletrônico dentro do Hospital Ernesto Dornelles e 'despachando-a' na Av. Bento Gonçalves em alta madrugada.

Penso que a malvadeza foi algo proposital, o mote, acho eu, primordial à concretização da infração penal. Ocorreu para solapar a boa-fé e a inocência das senhorinhas, como uma punição por terem atingido tão longa estrada da vida e serem crédulas do bem e da correção no modo de conduzirem-se. Foi punição a quem se movimentou de maneira correta a vida toda.

Inveja e recalque? Pode ser que sim, porém pode ser, tão somente, a maldade humana aflorando, surgida num ambiente propício para esse escopo. E desventurando três viveres. 

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