Tomando conhecimento da
notícia de que três provectas senhoras foram assaltadas, atingidas física e
psicologicamente, em Porto Alegre, fez-me recordar dos casos em que pessoas
próximas são as responsáveis por agressão. Quem mais teria de proteger,
incumbida moral ou laboralmente, resta ser o pior agressor.
No caso das
senhoras, com 92, 86 e 69 anos, foi a cuidadora quem industriou um
assalto conjuntamente com o namorado, não sem antes simular que também era vítima. Não
era vítima; era a vilã. O infrator somente foi descoberto por ter deixado cair um
documento que o identificava. Os policiais chegaram à casa dele e ele confessou
o crime.
Além do roubo, houve sublinhada
agressão psicológica, na medida das ameaças de desligamento de aparelho ao qual
uma das senhoras é ligada por motivo de doença. O contexto foi
recrudescido pela maldade perpetrada.
E levaram o que da
casa? Uns trocados e duas televisões, certamente a maior fonte de distração das velhinhas,
através da qual, decerto, assistiam novela, telejornais, quiçá um ou outro filme
água-com-açúcar, dum romance pueril. Puseram a mão em dinheiro também, inclusive
carregando a mais moça para saque em terminal eletrônico dentro do Hospital
Ernesto Dornelles e 'despachando-a' na Av. Bento Gonçalves em alta madrugada.
Penso que a malvadeza
foi algo proposital, o mote, acho eu, primordial à concretização da infração
penal. Ocorreu para solapar a boa-fé e a inocência das senhorinhas, como uma
punição por terem atingido tão longa estrada da vida e serem crédulas do bem e da
correção no modo de conduzirem-se. Foi punição a quem se movimentou de maneira correta a
vida toda.
Inveja e recalque?
Pode ser que sim, porém pode ser, tão somente, a maldade humana aflorando, surgida num
ambiente propício para esse escopo. E desventurando três viveres.
Nenhum comentário:
Postar um comentário